Durante depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro admitiu que jamais teve provas de fraude nas eleições de 2022. Em vídeo gravado nesta terça-feira (10), Bolsonaro declarou que suas acusações contra o sistema eleitoral foram fruto de desabafo pessoal, sem qualquer base em evidências concretas. “Não tinha prova de nada no tocante a isso aí. Foi um desabafo meu”, disse, logo no início do interrogatório conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes.
A declaração representa uma ruptura com o discurso mantido por Bolsonaro ao longo de todo o processo eleitoral. Por meses, o ex-presidente insistiu em levantar suspeitas sobre as urnas eletrônicas, alegando risco de manipulação dos resultados. Agora, ao reconhecer a ausência de provas, ele desmonta sua própria narrativa.
No depoimento, Bolsonaro ainda tentou justificar seu comportamento ao citar outras figuras públicas que, em anos anteriores, fizeram críticas ao sistema eleitoral. A estratégia buscava dividir a responsabilidade e minimizar o impacto das suas declarações durante o pleito.
O interrogatório faz parte do inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado que teria sido articulada após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Bolsonaro é acusado de liderar esse movimento, com apoio de militares e aliados civis. A conspiração, segundo os autos, envolvia até planos de ataques contra autoridades, como o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.
Réu desde março, Bolsonaro responde por diversos crimes, incluindo abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, incitação ao crime, deterioração de patrimônio público e tentativa de golpe de Estado.
Não demorou 5 minutos.
Jair Bolsonaro confessou que não tinha provas de fraudes nas eleições, mas mesmo assim seguiu o discurso para tentar dar um golpe de Estado. pic.twitter.com/GcMOOqEM0I
— Abel Ferreira Comunista! (@AugustodeS62143) June 10, 2025
A defesa do ex-presidente tentou incluir vídeos no interrogatório, mas o ministro Moraes indeferiu o pedido, argumentando que a audiência tinha o objetivo de colher depoimentos, e não de apresentar novas provas ou material de propaganda.
A repercussão da confissão foi imediata. Nas redes sociais, opositores reforçaram que a narrativa da fraude nas eleições sempre foi uma farsa com finalidade política. Já apoiadores buscaram relativizar a fala, afirmando que Bolsonaro apenas expressava preocupação com o processo democrático.
A Procuradoria-Geral da República analisa o conteúdo do depoimento, que pode ser usado como elemento adicional nas investigações em curso. A fala de Bolsonaro enfraquece as alegações de que havia um plano legítimo de contestação das eleições e fortalece a tese de que o ex-presidente usou um discurso fabricado para alimentar sua base e justificar ações extremas.














