Vasco quer São Januário contra o Boca e pode ir à Justiça

O Vasco quer mandar o jogo contra o Boca Juniors em São Januário, no dia 20, pela semifinal da Copa Sul-Americana. O clube avalia entrar na Justiça se a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) não liberar a partida na Colina Histórica.

Regra da Conmebol ameaça tirar decisão do torcedor vascaíno na Colina

O regulamento da entidade sul-americana exige que os estádios tenham capacidade mínima para 30 mil torcedores nas semifinais dos seus torneios continentais. Como a casa vascaína, localizada no bairro de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, suporta cerca de 22 mil pessoas, o local não atinge essa cota exigida pela organização.

A diretoria cruz-maltina tenta um acordo amigável com os dirigentes esportivos no Paraguai para obter uma liberação especial. Se o diálogo não avançar, o departamento jurídico do clube já estuda abrir um processo judicial formal para garantir o mando de campo dentro do próprio estádio centenário.

A torcida vascaína considera o campo da Rua General Almerindo de Albuquerque fundamental para pressionar os argentinos em busca da vaga na final. O clube lembra que o ambiente de São Januário faz toda a diferença para o rendimento do time e para o comércio do entorno.

Por que a Copa do Brasil aceita e a Sul-Americana não?

Muitos torcedores questionam por que o Vasco pode atuar na Colina pela semifinal da Copa do Brasil, organizada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mas sofre restrições na competição continental. A entidade nacional tem regras diferentes e autoriza palcos de menor porte nessa etapa decisiva.

Na competição da CBF, a única exigência de campo neutro ocorre apenas na grande decisão, marcada neste ano para o Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha. Já a Conmebol impõe degraus crescentes de capacidade conforme as equipes avançam de fase, barrando estádios tradicionais em fases agudas.

Essa diferença de critério entre os torneios irrita os dirigentes vascaínos. A defesa do clube argumenta que a estrutura oferece total segurança para partidas de alto risco, além de assegurar o direito esportivo de atuar na sua sede principal.

Maracanã surge como plano alternativo e motivo de nova briga

Se o Cruz-Maltino esgotar todas as tentativas por São Januário, o caminho natural será tentar levar o jogo decisivo para o Maracanã. Porém, essa alternativa recoloca o clube em rota de colisão direta com a dupla Flamengo e Fluminense, que administra o complexo esportivo estadual.

A concessionária formada pelos dois rivais cariocas já barrou recentemente a entrada vascaína em outros compromissos, como nas quartas de final da Copa do Brasil contra o Vitória. O Vasco alega que o Maracanã é um bem público pertencente ao Governo do Estado do Rio de Janeiro e que todos os grandes clubes locais possuem direito de uso pagando o aluguel devido.

A disputa entre as partes corre nos tribunais do Rio desde 2023. Recentemente, o departamento jurídico vascaíno rebateu laudos técnicos apresentados pelo consórcio sobre o estado da grama, destacando que a dupla Fla-Flu realizou inúmeras partidas seguidas no gramado sem a mesma preocupação ambiental ou de preservação.

O que muda para os moradores e comerciantes de São Cristóvão

A confirmação do duelo contra o Boca Juniors em São Januário movimenta diretamente a economia local. Bares, restaurantes, ambulantes cadastrados e oficinas mecânicas do bairro faturam alto nos dias em que o Cruz-Maltino joga em casa, especialmente em torneios internacionais.

Por outro lado, o trânsito da região passa por bloqueios intensos montados pela Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio (CET-Rio) e pelo Batalhão de Polícia de Choque da Polícia Militar. Linhas de ônibus municipais que circulam pelas ruas São Januário, Francisco Palheta e Ricardo Machado costumam sofrer desvios temporários nas horas que antecedem a partida.

Moradores do entorno cadastram veículos com antecedência junto às autoridades municipais para conseguir acessar suas garagens em dias de ruas bloqueadas. A decisão final sobre o estádio da partida precisa sair nos próximos dias para viabilizar todo o plano operacional de segurança e trânsito da Prefeitura do Rio de Janeiro.

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