Vandalismo em estátua no Jardim Botânico revolta moradores do bairro

Estátua de Otto Lara Resende

O vandalismo em estátua no Jardim Botânico revoltou moradores do bairro após a escultura do escritor e jornalista Otto Lara Resende aparecer danificada na Zona Sul do Rio de Janeiro. A obra fica na esquina das ruas Jardim Botânico e Pacheco Leão e teve peças importantes furtadas.

Quem passa pelo local percebe que o assento da cadeira da escultura e os livros que faziam parte da composição desapareceram. A retirada das peças deixou parafusos expostos e parte da área ao redor precisou ser isolada.

A situação foi constatada na quinta-feira (12), quando a reportagem verificou os danos no monumento. Outra escultura próxima também apresenta sinais de vandalismo.

A estátua do comunicador José Abelardo Barbosa de Medeiros, o Chacrinha, localizada a cerca de 200 metros do local, também está sem alguns elementos da obra, como o tradicional bacalhau e o microfone que compunham a homenagem.

De acordo com a Secretaria Municipal de Conservação, este é o quinto caso de depredação registrado em monumentos públicos da cidade somente neste ano.

Outra peça afetada por vandalismo recentemente foi a estátua do compositor Noel Rosa, localizada em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio.

Moradores e comerciantes da região lamentaram a situação. O jornaleiro Pedro Jarbas, de 60 anos, contou que ao chegar para trabalhar na última terça-feira (10), por volta das 6h30, os objetos da estátua já haviam sido levados.

Segundo ele, o monumento costuma atrair muitos visitantes e curiosos que param para fotografar o local.

“As pessoas costumam passar aqui para tirar foto, é uma praça bem movimentada, mas a noite fica meio perigoso, meio complicado aqui nessa parte. Durante o dia, por causa do Segurança Presente, até que deu uma melhorada na segurança aqui na principal do Jardim Botânico, mas quando você vai mais para cima, o pessoal tem sofrido assalto, furto de celular, essas coisas”, contou ao jornal O Dia.

A diretora da Associação de Moradores e Amigos do Jardim Botânico (AMAJB), Vera Maurity, classificou o episódio como um ato grave de vandalismo.

“Esse último roubo de pedaços de cobre de uma estátua em homenagem ao Otto Lara Resende foi um vandalismo inaceitável. Inclusive, foi filmado pelas câmeras do entorno, sabe-se quem fez. Fora isso, a segurança, evidentemente, é um assunto que mobiliza muito os moradores, que estão se sentindo muito vulneráveis, e a associação tenta cuidar disso, fazendo uma parceria com a Polícia Militar e com a delegacia da área”, explicou.

Ela também destacou que a associação mantém diálogo constante com as forças de segurança e moradores para discutir medidas de proteção no bairro.

“Nós temos um bom atendimento do 23ºBPM, que faz rondas frequentes em todas as áreas, e da 15ªDP, que também age investigando. Nós temos até um grupo de comunicação direta, mas sofremos muito com pequenos assaltos de meninos, principalmente na Lagoa e na altura do Parque Lage, para onde eles se escondem e fogem em seguida. Temos também, algumas vezes, roubos de celulares e de motos nas ruas internas”, acrescentou.

A Secretaria Municipal de Conservação informou que registrou um boletim de ocorrência sobre o furto das peças da estátua de Otto Lara Resende, ocorrido por volta das 5h50. O órgão também informou que será feito um levantamento dos custos necessários para restaurar o monumento.

A investigação está sob responsabilidade da 15ª Delegacia de Polícia (Gávea). Agentes analisam imagens de câmeras de segurança da região e realizam diligências para identificar os responsáveis.

Otto Lara Resende nasceu em São João del-Rei, em Minas Gerais, em 1922. Ele se mudou para o Rio de Janeiro em 1945, onde iniciou carreira como cronista político durante a Constituinte de 1946.

Ao longo da carreira, trabalhou em importantes veículos da imprensa brasileira, como Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil e na revista Manchete, da qual chegou a ser diretor.

A estátua em sua homenagem foi inaugurada em 2002. A obra de bronze é assinada pelo escultor Joás Pereira Passos e se tornou um ponto conhecido do bairro.

Enquanto a investigação avança, moradores seguem cobrando mais proteção para o patrimônio público e para os espaços históricos da cidade.

Limpatech