O vagão feminino do metrô virou palco de confusão na noite desta terça-feira (19), após o jogo do Fluminense no Maracanã, na Zona Norte do Rio. Segundo relatos publicados nas redes sociais, torcedores do clube entraram no espaço exclusivo para mulheres e se recusaram a deixar o local.
A situação gerou discussão entre passageiras e os homens que estavam no vagão. Mulheres que presenciaram o caso reclamaram da falta de fiscalização e afirmaram que os torcedores desrespeitaram a regra que reserva o espaço apenas para passageiras durante todo o funcionamento do sistema metroviário.
Em uma das publicações, uma internauta criticou a ausência de agentes no momento da confusão. Um bando de segurança nas estações e nenhum sequer chegando perto do vagão feminino. Pode deixar que eu vou sim expulsar 736382 torcedores de dentro do vagão, escreveu, segundo o jornal O Dia.
Outra passageira também relatou incômodo com a presença dos homens no espaço reservado. Quando vão fazer alguma coisa com essa torcida no vagão feminino? Ainda nos desrespeitam quando pedimos para que saiam, comentou, em publicação citada pelo jornal O Dia.
Procurado, o MetrôRio informou que um dos torcedores mais exaltados trocou de vagão após orientação dos agentes de segurança. A concessionária afirmou ainda que cumpre a nova legislação sobre o vagão feminino e que realiza ações de orientação aos passageiros.
As equipes orientam passageiros quanto à nova norma, com rondas constantes dentro do vagão exclusivo e nas plataformas, informou o MetrôRio, em nota divulgada pelo jornal O Dia.
A nova regra sobre os vagões exclusivos para mulheres entrou em vigor no Estado do Rio em 23 de março. Desde então, o espaço passou a ser reservado para passageiras durante todo o período de operação dos trens e do metrô, e não apenas nos horários de pico.
Antes da mudança, a exclusividade valia somente em dias úteis, das 6h às 9h e das 17h às 20h. Com a nova legislação, a proteção passou a valer 24 horas por dia, com o objetivo de combater casos de assédio e importunação sexual também fora dos períodos de maior movimento.
A lei é de autoria do deputado estadual Guilherme Delaroli e altera a norma de 2017. A ampliação da regra foi aprovada justamente para reforçar a segurança das mulheres no transporte público, diante de relatos frequentes de situações de constrangimento e violência.
Homens que desrespeitarem a determinação continuam sujeitos a multa. Os valores variam de R$ 184,70 a R$ 1.152,77 em caso de reincidência.
O dinheiro arrecadado com as penalidades é destinado ao Fundo Especial da Polícia Militar e às Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, por meio do Fundo Especial da Polícia Civil. A divisão prevista é de 70% para a PM e 30% para as Deams.
A confusão após o jogo do Fluminense reacendeu a cobrança por fiscalização mais efetiva no transporte público. Para as passageiras, a existência da lei precisa ser acompanhada de orientação, presença de agentes e resposta rápida em situações de descumprimento.
Enquanto o tema volta a ganhar repercussão, mulheres seguem cobrando respeito ao espaço exclusivo e medidas que garantam mais segurança durante os deslocamentos. O caso mostra que a regra já existe, mas a fiscalização ainda é parte essencial para que ela seja cumprida no dia a dia.














