UPA de Costa Barros retoma atendimentos sob tensão após tiroteio entre facções

UPA de Costa Barros

A manhã desta segunda-feira (27) foi marcada por tensão e medo entre os moradores da Zona Norte do Rio. Após um mês de portas fechadas por causa da violência, a UPA de Costa Barros retomou os atendimentos sob o som de tiros vindos das imediações do Complexo da Pedreira. Durante o confronto entre facções rivais, uma mulher foi feita refém dentro de casa e acabou morta. O episódio reforça a rotina de insegurança que tem paralisado o funcionamento de unidades de saúde em toda a cidade.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, entre janeiro e 15 de outubro deste ano, clínicas da família e postos de saúde precisaram interromper o atendimento 784 vezes por causa da violência armada — uma média de quase três paralisações por dia. A maior parte das ocorrências foi registrada em bairros da Zona Norte, com destaque para Costa Barros, Pavuna, Anchieta, Guadalupe e Madureira, que somaram 189 fechamentos apenas em 2025.

O caso mais recente aconteceu na noite de domingo (26), quando criminosos do Comando Vermelho (CV), vindos do Complexo do Chapadão, atacaram o Complexo da Pedreira, dominado pelo Terceiro Comando Puro (TCP). Moradores relataram horas de pânico, com rajadas de fuzil e explosões. A Polícia Militar confirmou que sete fuzis, uma granada, munições e seis veículos foram apreendidos durante as operações realizadas pelo 41º BPM (Irajá).

Durante o tiroteio, dois criminosos do CV invadiram uma casa na comunidade da Quitanda e fizeram reféns Marli Macedo dos Santos, de 60 anos, e familiares. A residência foi atingida por disparos e Marli acabou baleada na cabeça. Ela chegou a ser socorrida ao Hospital Albert Schweitzer, mas não resistiu aos ferimentos. Os criminosos se entregaram após negociação com os policiais.

O comandante do 41º BPM, tenente-coronel Leandro Maia, lamentou o crime e afirmou que a UPA de Costa Barros e toda a região seguem sob reforço policial. “Fizemos a negociação e conseguimos retirar a senhora baleada e o irmão dela, que estava bem. A situação foi controlada e os ônibus voltaram a circular normalmente”, disse ele em entrevista ao Bom Dia Rio, da TV Globo.

O oficial destacou que a proximidade entre os complexos do Chapadão e da Pedreira facilita os confrontos e ressaltou o esforço diário da PM para conter a guerra entre facções. “A tomada de territórios é importante para eles. Existe uma cultura de desordem e impunidade. São presos, soltos e voltam a cometer crimes”, afirmou.

Mesmo com a reabertura da UPA de Costa Barros, três unidades de Atenção Primária na região precisaram suspender o funcionamento por medida de segurança. A Secretaria Municipal de Educação também informou o fechamento temporário de 22 escolas localizadas no Complexo da Pedreira, afetando milhares de estudantes.

A Secretaria de Saúde informou que as interrupções provocadas por tiroteios impactam diretamente o acesso à saúde da população e comprometem o atendimento de urgência. A pasta reiterou que segue em diálogo com as forças de segurança para garantir o funcionamento contínuo das unidades nas áreas mais afetadas.

A retomada da UPA de Costa Barros simboliza a resistência de profissionais de saúde e moradores diante da violência que se repete ano após ano. Apesar da normalização parcial do atendimento, o clima permanece de incerteza, com medo de que novos confrontos interrompam novamente o serviço essencial para milhares de pessoas da Zona Norte do Rio.

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