Universitário é baleado por PM ao ser confundido com criminoso no Rio

universitário Igor Melo de Carvalho, de 32 anos

O policial militar da reserva Carlos Alberto de Jesus, que confessou ter atirado contra o universitário Igor Melo de Carvalho, de 32 anos, na Penha, Zona Norte do Rio, na madrugada de segunda-feira (24), foi chamado para prestar novo depoimento na 22ªDP (Penha), no fim da manhã de terça-feira (23).

Segundo a polícia, em um primeiro depoimento na delegacia Carlos Alberto alegou que Igor e o condutor de uma moto seriam os responsáveis pelo roubo do celular da sua esposa. Mas, de acordo com as investigações, Igor pediu um transporte de moto por aplicativo para sair do trabalho, na Penha, duas horas depois do horário que uma mulher alega ter sido assaltada no mesmo bairro.

Em depoimento, Josilene Souza disse que estava no ponto de ônibus por volta das 23h de domingo (23), quando dois homens, um de camisa preta e um de camisa amarela, se aproximaram em uma moto azul. O de camisa amarela, que seria Igor, tirou o telefone celular da mão da declarante.

No entanto, as câmeras do estabelecimento onde Igor trabalha mostram ele saindo do local 1h06 de segunda.

Policiais da delegacia conseguiram registros do aplicativo que mostram que Igor pediu o transporte para sair do bar Batuq, onde trabalhava, às 1h27.

Segundo a família, no caminho Igor teria percebido que um veículo seguia a motocicleta. Minutos depois ouviu disparos e caiu da moto. Percebendo estar ferido, Igor conseguiu ligar para colegas de trabalho, que foram até o local e o socorreram ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha.

Os policiais ainda vão analisar imagens de câmeras próximas para ver se alguma delas registra o assalto contra a mulher e avaliar a rota da moto dirigida por Thiago Marques Gonçalves, que iria levar Igor para casa quando foram alvos dos disparos.

Igor foi preso e está sob custódia da polícia no hospital. Em imagens enviadas pelos familiares, é possível ver o momento em que Igor, por volta das 1h30, embarca na moto por aplicativo.

‘Resolveram fazer justiça com as próprias mãos’, desabafa prima

De acordo com a prima de Igor, a mulher do PM esteve no Hospital Getúlio Vargas e afirmou que ele não era um dos assaltantes.

Igor é estudante de publicidade e propaganda da faculdade Celso Lisboa, onde ele trabalha também como inspetor, e, para complementar a renda, trabalha como garçom no bar onde pegou o moto por aplicativo.

Os parentes dizem que ele foi atingido pelas costas, passou por uma cirurgia, perdeu o rim e está com o seu estômago e intestino bastante afetados.

“Uma senhora foi assaltada e ela junto com seu marido, um policial da reserva, resolveram fazer justiça com as próprias mãos. Viram meu primo em cima de uma moto, um homem negro em cima de uma moto, e acharam que poderiam ter algum envolvimento com o assalto”, diz Pâmela.

Em nota, a Polícia Militar informou que agentes foram à Avenida Lobo Júnior, na Penha, para verificar uma ocorrência de invasão a domicílio.

No local, os agentes constataram que dois suspeitos, que trafegavam em uma motocicleta, foram alvos de disparos de arma de fogo efetuados por ocupantes de um veículo desconhecido. Um deles foi atingido e socorrido ao Hospital Estadual Getúlio Vargas.

O caso foi registrado na 22ª DP (Penha). O policial que atirou se apresentou como autor dos tiros e a esposa reconheceu o piloto da moto como um dos envolvidos no roubo do celular dela.

Segundo a direção do Hospital Getúlio Vargas, o estado de saúde de Igor é considerado grave.

Fonte: G1

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