A cidade de Maricá inaugura nesta sexta-feira (16) a Universidade Livre do Carnaval, projeto idealizado para estudar, valorizar e desenvolver profissionalmente a cultura do samba e os bastidores do maior espetáculo popular do país. A cerimônia de lançamento ocorrerá às 19h na quadra da escola de samba União de Maricá e contará com a presença de nomes emblemáticos do universo carnavalesco.
À frente da reitoria colegiada da nova instituição está o renomado carnavalesco Milton Cunha. Também integram a gestão o fundador do bloco afro Ilê Aiyê, Antônio Carlos dos Santos, conhecido como Vovô do Ilê, e a rainha de bateria da Mangueira, Evelyn Bastos. A universidade será sede da Rede Brasileira de Estudos do Carnaval (REBECA), voltada à produção acadêmica e à valorização dessa manifestação cultural.
Milton Cunha, que além de carnavalesco é doutor em Letras e pós-doutor em História da Arte, assume o desafio de liderar uma iniciativa inédita no Brasil. A proposta, segundo ele, é ampliar o entendimento do Carnaval como potência intelectual, econômica e social. O projeto é uma parceria com a Secretaria de Cultura e das Utopias de Maricá, que idealizou a iniciativa.
A Universidade Livre do Carnaval já nasce com a proposta de oferecer mais de 60 cursos livres e técnicos voltados às diversas áreas do Carnaval. No futuro, a expectativa é implantar cursos de graduação com ênfase em cultura popular, gestão de eventos e história do samba. A ideia é transformar Maricá em polo de excelência e formação profissional nesse setor, tornando-se uma referência nacional.
O secretário municipal Sady Bianchin acredita no poder transformador da iniciativa para o desenvolvimento local e a economia criativa. “Vamos consolidar a Universidade Livre do Carnaval como referência nesta tradição autêntica da cultura popular brasileira, sendo reconhecida pela qualidade acadêmica e pela contribuição efetiva na economia criativa circular e no desenvolvimento humano no âmbito profissional e cultural”, declarou.
Com a criação da universidade, Maricá se soma a outras iniciativas culturais do estado do Rio de Janeiro, buscando resgatar, qualificar e promover práticas associadas à arte carnavalesca. A cidade, que já possui uma escola de samba própria, reforça assim sua aposta na cultura como ferramenta de desenvolvimento econômico e identidade coletiva.
Contudo, nem todos os moradores enxergam o projeto com o mesmo entusiasmo. Alguns munícipes demonstraram preocupação com a priorização de recursos. Segundo reportagens dos portais MaricáInfo e Errejota, há críticas sobre a qualidade de serviços básicos como saúde, infraestrutura urbana e educação, além de denúncias de obras paradas e investimentos considerados mal-executados.
Questionamentos também surgem quanto à real efetividade da Universidade Livre do Carnaval para a população em geral. Parte dos moradores alega que iniciativas como essa, apesar de bem-intencionadas, podem estar desconectadas das necessidades mais urgentes da comunidade local.
Apesar das divergências, a inauguração da universidade é vista como um marco para o Carnaval brasileiro, que passa a contar com um espaço exclusivo para formação técnica e reflexão acadêmica sobre a cultura do samba, sua economia e seu impacto social. A iniciativa, inédita no país, poderá, a longo prazo, influenciar positivamente diversos setores da indústria criativa.
A expectativa agora é que os cursos ofertados atraiam não apenas moradores da região metropolitana, mas também estudantes e profissionais de todo o Brasil interessados em se especializar nas engrenagens do Carnaval. O sucesso da universidade, no entanto, dependerá de sua capacidade de equilibrar excelência acadêmica, impacto econômico e atenção às demandas sociais do município.














