A Unidos da Tijuca deixará, em setembro, sua histórica quadra na Avenida Francisco Bicalho, na Zona Portuária do Rio, que serviu como sede de ensaios e eventos por mais de 30 anos. A mudança é resultado de um processo de despejo, mas já há um novo endereço definido: a agremiação passará a ocupar um espaço em frente ao seu barracão de alegorias, na Gamboa.
Instalada na Francisco Bicalho desde 1993, no terreno que antes pertencia ao Clube dos Portuários, a escola realizou importantes reformas ao longo dos anos, incluindo uma grande restauração em 2008, sem verba pública, que ampliou a capacidade para 8 mil pessoas. O local se tornou palco de ensaios concorridos, atraindo sambistas, turistas e admiradores de todas as partes.
O novo espaço, localizado na Avenida Rivadavia Correa, 227, receberá uma estrutura provisória para a temporada de ensaios e, após o desfile de 2026, passará por obras para se tornar a sede definitiva da escola. O presidente Fernando Horta destacou que a conquista foi possível graças a um acordo com o prefeito Eduardo Paes, garantindo um local fixo e próximo à Cidade do Samba.
A Unidos da Tijuca, que completará 95 anos em 2026, leva consigo memórias e histórias da antiga quadra, mas segue com esperança de que a nova sede represente mais um capítulo de sucesso na trajetória da agremiação.
NOTA OFICIAL
O PAVÃO em “Casa de Alvenaria”.
Um novo destino para aquela que sempre se renova; a ideia da partida que sempre significa uma chegada.
Anunciamos para toda a comunidade tijucana e o mundo do samba, a conquista de uma quadra definitiva para a nossa agremiação.
Nascida na confluência entre os Morros do Borel e da Casa Branca, a Unidos da Tijuca viveu na pele ao longo de sua história os dilemas urbanos que fazem parte da vida de tantos brasileiros.
Deixamos a rua São Miguel em 1992, em virtude de diversas questões que afligiam a região, e deste tempo em diante, tivemos alguns destinos até nos alojarmos na avenida Francisco Bicalho, onde funcionou um dia o Clube dos Portuários, logradouro que foi nosso refúgio até então.
Mas, como a vida imita a arte, tal qual Carolina, vimos a especulação bater à nossa porta, e o que era Patrimônio Imaterial da cultura da cidade, transformar-se pouco a pouco numa peça de recordação.
Em um esforço imenso de nosso presidente Fernando Horta e seus pares, junto ao prefeito Eduardo Paes, alcançamos agora o sonho de termos, enfim, a nossa Casa de Alvenaria – nossa construção desejada, nosso cantinho na cidade.
A nova quadra, localizada na rua Rivadávia Correa, 227, bem em frente ao barracão da Cidade do Samba, na Gamboa, começa a ser erguida agora como o estandarte merecido em reconhecimento aos 94 anos de contribuição a cultura brasileira, ao legado inestimável de nossa produção artística e manutenção das tradições do samba.
Como uma das matriarcas da festa, a Unidos da Tijuca – do Borel, da Casa Branca, da Barreira, da Providência, Santo Cristo, Morro do Pinto e de toda a cidade, país e mundo – vai morar no coração do Rio de Janeiro de forma definitiva, bem ao lado de onde toda a história do batuque carioca teve seu início.
Aos poucos, vamos nos despedindo de um lugar de muitas alegrias e histórias, com a certeza de que a missão naquele terreiro foi cumprida.
Alguma saudade já batendo a porta; um olhar de esperança e muita fé na caminhada.
Criar o que tiver que criado.
Assentar o que tiver que ser assentado.
E que sejam todos bem-vindos ao nosso novo lar!














