O trânsito no Rio após megaoperação que deixou 119 mortos nos complexos do Alemão e da Penha sofreu uma queda histórica nesta quarta-feira (29). De acordo com dados do Centro de Operações e Resiliência (COR) da prefeitura, o fluxo de veículos foi 70% menor do que a média registrada para o mesmo dia da semana. O número confirma a sensação de cidade vazia que tomou conta das ruas após o dia mais violento da história recente do estado.
Mesmo com a liberação das vias e o retorno da operação normal do transporte público, muitos cariocas preferiram não sair de casa. O COR registrou ainda uma mudança no comportamento do tráfego: o pico de movimento, que normalmente ocorre às 8h da manhã, só foi percebido por volta das 10h, sinalizando que os poucos motoristas que se arriscaram a sair esperaram o amanhecer completo.
Durante a manhã, a prefeitura informou que a cidade havia retornado ao Estágio 1 — condição de normalidade — após permanecer 16 horas em Estágio 2 por conta dos confrontos e bloqueios do dia anterior. Ruas que haviam sido tomadas pelo pânico, como a Avenida Brasil, a Linha Amarela e a Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, estavam completamente liberadas.
Apesar disso, o clima de medo ainda predominava. Relatos de moradores e motoristas indicavam um cenário atípico, com poucos carros circulando e estabelecimentos abrindo mais tarde do que o normal. O esvaziamento foi interpretado como reflexo direto da violência da terça-feira (28), quando criminosos reagiram à operação policial incendiando ônibus e bloqueando vias. No total, 204 linhas foram afetadas e 71 coletivos usados como barricadas, paralisando a cidade.
Para tentar restabelecer a sensação de segurança, a Polícia Militar anunciou um reforço de 40% no efetivo nas ruas da capital fluminense. Segundo a corporação, a medida tem caráter preventivo e visa garantir tranquilidade após o impacto da megaoperação nos complexos.
Mesmo com o aumento no policiamento e a retomada gradual da rotina, o comportamento cauteloso da população mostrou que o trauma da operação ainda persiste. O trânsito vazio e o ritmo lento da cidade se tornaram, por um dia, o retrato da ressaca emocional vivida pelo Rio após a ação mais letal de sua história.














