A 4ª Conferência Estadual dos Direitos da População LGBT+, realizada nesta sexta-feira (1º) no CÉU Carrão/Tatuapé, na capital paulista, foi marcada por um episódio tenso envolvendo a vereadora Janaina Paschoal, do Partido Progressistas (PP). Convidada apenas como ouvinte, ela foi expulsa do evento após causar tumulto e invadir o palco sem autorização.
Segundo os organizadores, Janaina interrompeu falas oficiais e inflamou o público ao afirmar que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, “não foi golpe”. A declaração gerou fortes vaias, palavras de ordem e um pedido coletivo para que ela deixasse o espaço imediatamente.
A vereadora não fazia parte da mesa e tampouco tinha direito à palavra durante o evento. Mesmo assim, se posicionou de forma provocativa, o que foi interpretado por muitos como tentativa de desestabilizar um espaço democrático e de construção coletiva por e para pessoas LGBTQIAPN+.
“Ela foi à Conferência apenas para lacrar e provocar tumulto. Expulsamos porque ela não representa nossa luta nem respeita nossa história”, afirmou Diego Carvalho, coordenador de Políticas LGBTQIA+ do Sindicato dos Bancários de São Paulo, em depoimento ao jornal O Dia.
A confusão gerada pela presença da vereadora fez até a cônsul-geral da Bélgica em São Paulo abandonar o palco, em protesto contra o desrespeito ocorrido. Representantes da sociedade civil classificaram a atitude como um “ataque à democracia”.
Em nota, os organizadores reforçaram que a Conferência é fruto de anos de mobilização popular e que a presença de figuras públicas contrárias às pautas do movimento LGBTQIA+ não será tolerada como forma de sabotagem.
Com a participação de 350 delegados de diversas regiões do estado, a 4ª Conferência segue até domingo (4), promovendo debates sobre enfrentamento à violência, juventude, saúde, trabalho e políticas públicas. As propostas aprovadas serão levadas à etapa nacional, marcada para outubro, em Brasília.














