O tribunal do tráfico em São Gonçalo virou alvo de uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro na manhã desta terça-feira (2), após a investigação de um ataque contra duas mulheres na comunidade do Risca-Faca, em Maria Paula, na Região Metropolitana do Rio. Três homens apontados como integrantes do Comando Vermelho foram presos em flagrante durante a ação.
Segundo a polícia, os suspeitos também são investigados por tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte ilegal de arma de fogo e domínio territorial armado. A operação foi conduzida por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital, a DRE-Cap, que saíram às ruas para cumprir 28 mandados de busca e apreensão.
De acordo com as investigações, duas mulheres teriam sido atacadas após serem acusadas de praticar crimes dentro da comunidade. Elas foram agredidas, tiveram os cabelos cortados e foram obrigadas a circular pela região pedindo desculpas aos criminosos. A ação teria sido usada como forma de intimidação e demonstração de controle sobre o território.
A polícia afirma que as agressões foram determinadas por integrantes do chamado “tribunal do tráfico”, prática usada por facções criminosas para impor regras dentro de áreas dominadas. Nesses casos, criminosos assumem o papel de julgadores e executores de punições contra moradores ou pessoas acusadas de descumprir ordens locais.
Ainda segundo os investigadores, a ordem teria partido de Flávio Vieira Bento, conhecido como Mumu do Tuiuti, que está preso no Complexo de Gericinó, e de Elias da Silva Firmino, conhecido como Da Roça. Os dois são apontados como lideranças do Comando Vermelho e possuem antecedentes criminais.
A Polícia Civil informou que Elias estaria escondido no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. As imagens do ataque foram divulgadas pelos próprios criminosos nas redes sociais, o que, segundo a investigação, teria como objetivo espalhar medo e reforçar o poder da facção na comunidade.
Durante a operação, os agentes apreenderam uma máquina que teria sido usada para cortar o cabelo das vítimas. O crime aconteceu no dia 18 de maio. Até a última atualização, não havia informações recentes sobre o estado de saúde das mulheres.
As investigações continuam para identificar e responsabilizar todos os envolvidos no caso. A Polícia Civil apura a participação de outros criminosos na ação e busca reunir provas sobre a estrutura do grupo que atua na região.
O caso voltou a expor a atuação de facções criminosas em comunidades da Região Metropolitana do Rio e a forma como esses grupos tentam impor medo por meio de punições ilegais e exposição pública das vítimas.














