A transição do Jaé — novo sistema de bilhetagem da Prefeitura do Rio — continuará sendo feita de forma gradual. Apesar da promessa de substituir totalmente o antigo Riocard até julho, o processo enfrenta atrasos, falhas técnicas e resistência de boa parte dos usuários do transporte público da cidade.
Segundo a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), a substituição será em etapas, principalmente devido à falta de integração do Jaé com os sistemas de metrô, trem e barcas, que seguem sob gestão do governo estadual. Além disso, houve troca na empresa responsável pela operação da nova bilhetagem, o que também impactou o cronograma.
Dados divulgados pela SMTR mostram que apenas 15% dos passageiros utilizaram o novo cartão Jaé no mês passado. A maioria — 85% — ainda opta pelo Riocard. Ao todo, 1,3 milhão de cartões Jaé foram emitidos, mas 165 mil ainda aguardam retirada e 47 mil permanecem em fase de produção.
A promessa de um sistema moderno, com possibilidade de pagamento por QR Code e celular, esbarra em dificuldades práticas. Muitos usuários relatam falhas nas catracas, dificuldades no uso digital e lentidão no atendimento das lojas físicas. Pontos como Madureira, Botafogo e Santa Cruz têm registrado filas frequentes de pessoas em busca de soluções.
“A propaganda fala que vai facilitar a vida, mas eu não consigo nem usar no metrô”, reclamou uma passageira em Santa Cruz. A prefeitura afirma que não é mais necessário agendamento para retirada do cartão e orienta que os usuários levem documentos de identificação para atendimento presencial.
Apesar dos transtornos, a SMTR insiste que as falhas são pontuais e orienta que eventuais problemas sejam relatados por canais oficiais, para que possam ser apurados caso a caso. A pasta ainda não informou nova previsão para a conclusão da transição completa.
Com a transição do Jaé em ritmo lento, a população segue dividida entre dois sistemas de bilhetagem que, por enquanto, não conversam entre si. Enquanto isso, os desafios do transporte público no Rio continuam sendo parte da rotina de quem depende do ônibus, trem ou metrô para circular pela cidade.















