Tráfico impõe luto e fecha comércio no Mutuá após morte de G da Força

Tráfico impõe luto e fecha comércio no Mutuá após morte de G da Força

O sábado começou com clima de tensão no bairro do Mutuá, em São Gonçalo. O comércio no Mutuá amanheceu totalmente fechado após traficantes decretarem luto forçado pela morte de George Vieira Sotelo, o “G da Força”, chefe do tráfico na Comunidade da Força, no Boaçu. A ordem dos criminosos foi direta: não abrir, nem com meia porta — e por tempo indeterminado.

G da ForçaSegundo relatos de moradores, a ordem foi anunciada por dois homens armados que circularam de moto pelas principais vias do bairro na manhã deste sábado (2). “Passaram dois motoqueiros e mandaram fechar. Falaram: ‘não tem meia porta, não tem nada. Respeita o papo. Até segunda ordem. A princípio, é uma semana’”, contou um comerciante, ainda assustado, em depoimento ao jornal O Dia.

Mesmo com o patrulhamento reforçado da Polícia Militar durante toda a manhã, os lojistas não arriscaram desobedecer. A ameaça imposta pelo tráfico se sobrepôs à presença do Estado, e o comércio permaneceu de portas fechadas.

Nas redes sociais da região, circulam supostos comunicados assinados por traficantes, informando moradores e comerciantes sobre a decretação do luto de sete dias. O texto alerta que qualquer descumprimento à ordem resultará em represálias.

A morte de G da Força ocorreu na tarde de sexta-feira (1º), durante uma operação da 72ª Delegacia Policial (Mutuá). O traficante foi localizado em um comboio de motos, escoltado por cinco homens fortemente armados. No confronto com os agentes, George e dois de seus seguranças foram mortos. Outros três integrantes do grupo foram presos, sendo dois deles feridos.

Durante a ação, a polícia apreendeu dois fuzis — um deles com a letra “G” gravada —, uma pistola, entorpecentes e duas motocicletas. De acordo com a Polícia Civil, o grupo pertencia à facção Comando Vermelho e utilizava métodos violentos para manter o controle do tráfico na região.

George Vieira Sotelo, de 40 anos, era apontado como líder do tráfico no Mutuá e no Boaçu desde 2013, quando assumiu o posto após a morte de Anderson Alves Ramalho, o “Finho”. Apesar de estar em prisão domiciliar, continuava comandando a rede criminosa.

Em outubro de 2024, ele foi acusado de ordenar um ataque a uma viatura da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), localizada no mesmo prédio da 72ª DP. O veículo foi incendiado durante a madrugada, em represália à prisão de integrantes da quadrilha. Desde então, George vinha sendo monitorado pelo setor de inteligência da polícia.

Na semana anterior à operação que resultou em sua morte, outro aliado de G — apontado como chefe do tráfico no Morro do Querosene e seu braço direito — também havia sido morto em confronto com agentes da 72ª DP.

Mesmo com a presença ostensiva de viaturas nas ruas neste sábado, o comércio segue fechado e a população vive sob a tensão do luto decretado por criminosos.

Limpatech