Operação Policial Revela Uso de Grife Internacional em Embalagens de Drogas
A sofisticação e a ostentação no mundo do crime organizado atingiram um novo patamar. A Polícia Civil do Paraná (PCPR) desvendou uma complexa organização criminosa que utilizava a icônica marca da grife francesa Chanel para estampar e embalar tabletes de drogas.
A estratégia visava conferir um selo de “qualidade” e criar uma identidade de marca no mercado clandestino de entorpecentes. A descoberta ocorreu durante a quarta fase da Operação Gift, que mobilizou cerca de 150 policiais civis no Paraná e em Santa Catarina.
Além do marketing com a grife de luxo, o grupo adulterava a cocaína com substâncias como cafeína e BCAA para aumentar o volume e o lucro. As investigações, que duraram um ano, mapearam a logística do grupo, que trazia drogas da fronteira para abastecer regiões do Paraná e Santa Catarina, conforme divulgado pela PCPR.
O Selo de Luxo nas Drogas
A assinatura da Chanel nas embalagens de drogas era uma tentativa clara de conferir status ao produto e identificar o fornecedor no mercado do tráfico. Essa peculiaridade, aliada ao hábito de embalar os entorpecentes em papel de presente, deu nome à operação.
A PCPR detalhou que a organização, liderada por um homem de 38 anos, possuía uma estrutura estritamente familiar. Parentes eram diretamente envolvidos nas operações financeiras, na ocultação de patrimônio e no transporte de valores, demonstrando um alto grau de organização e confiança interna.
Descapitalização e Apreensões na Operação Gift
A fase atual da Operação Gift tem como foco principal a descapitalização total do grupo criminoso. A justiça determinou o bloqueio de contas bancárias de 26 investigados e o sequestro de imóveis e veículos de luxo adquiridos com o dinheiro do tráfico.
Até o momento, a operação rastreou cerca de R$ 30 milhões em movimentações bancárias. As apreensões acumuladas ao longo das fases incluem mais de 140 kg de drogas e R$ 70 mil em espécie, resultando na prisão de 27 integrantes da organização criminosa.
Adulteração e Farmácia Envolvida
Além do uso da marca de luxo, a quadrilha misturava substâncias à cocaína para aumentar o volume comercializado. Essa prática levou à investigação de uma farmácia em Pato Branco e seu proprietário, que foram alvos de mandados de busca na operação.
A investigação iniciou após a interceptação de um carregamento de 65 quilos de maconha em Itapejara d’Oeste. A partir daí, a PCPR conseguiu mapear toda a rede de distribuição e logística do grupo criminoso.
Impacto e Próximos Passos da Investigação
A delegada Franciela Alberton, responsável pela investigação, ressaltou a importância da descapitalização para desmantelar completamente a organização. A apreensão de bens de luxo, como imóveis e veículos, demonstra o alcance financeiro do tráfico.
A Operação Gift continua em andamento, com o objetivo de prender todos os envolvidos e recuperar os valores desviados. A utilização de marcas de luxo para embalar drogas é um indicativo da crescente sofisticação e audácia das organizações criminosas no país.














