Trabalhadora doméstica resgatada no Rio de Janeiro vivia há 50 anos sem registro ou folgas

trabalhadora doméstica resgatada no Rio de Janeiro

Uma trabalhadora doméstica resgatada no Rio de Janeiro pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) vivia há mais de 50 anos em situação análoga à escravidão. A idosa, de 79 anos, trabalhava para a mesma família no bairro de Padre Miguel, Zona Oeste da cidade, sem registro formal, salário regular ou direito a folgas.

A operação de resgate foi realizada na primeira semana de outubro por uma equipe de fiscalização do MTE, com apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF). De acordo com a auditora-fiscal Bárbara Rigo, que coordenou a ação, a trabalhadora enfrentava uma rotina exaustiva, cuidando de uma idosa centenária durante 24 horas por dia, sete dias por semana.

“A vítima, idosa e com problemas cardíacos e de mobilidade, prestava cuidados contínuos à empregadora, que utilizava cadeira de rodas. Dormia no mesmo quarto e chegava a acordar diversas vezes à noite para ajudá-la”, relatou a auditora.

O MTE constatou que a mulher, que fazia uso de medicamentos para arritmia cardíaca, não possuía vínculo empregatício e permanecia permanentemente à disposição da família, sem descanso ou remuneração adequada. Após o resgate, a idosa foi acolhida por familiares e passou a receber acompanhamento médico e psicológico.

A equipe de fiscalização emitiu uma guia de seguro-desemprego especial e calculou cerca de R$ 60 mil em verbas rescisórias. Também determinou o registro retroativo do vínculo de trabalho e o recolhimento do FGTS. O Ministério Público do Trabalho firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com os empregadores, obrigando-os a pagar um salário vitalício e a regularizar todas as obrigações trabalhistas e previdenciárias.

O MTE informou ainda que lavrará autos de infração pelos crimes de trabalho análogo à escravidão e ausência de registro em carteira. O caso reacende o debate sobre a exploração de trabalhadores domésticos idosos, ainda comum em várias regiões do país, e reforça a importância da fiscalização contínua.

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