Torcedor vascaíno baleado no olho, o universitário Arthur Cortines Laxe Ferreira da Conceição, de 18 anos, prestou depoimento nesta quinta-feira (14), na 18ª DP, na Praça da Bandeira, sobre o episódio ocorrido no entorno do Maracanã após o clássico entre Flamengo e Vasco, no último dia 3 de maio.
Acompanhado da mãe, Christiane Cortines Laxe da Conceição, e de uma advogada, o jovem afirmou que perdeu a visão do olho direito depois de ser atingido por uma bala de borracha durante uma ação da Polícia Militar. Arthur, que apareceu com curativo no rosto, também relatou que teria tido ajuda negada por agentes mesmo após o ferimento.
“Na hora que eu tomei o tiro, eu me perdi dos meus amigos, estava sozinho e poucas pessoas me ajudaram, uma ou duas, que conseguiram me guiar ali pelo ombro. Eles me levaram até um policial, um carro de polícia, só que o policial me negou a ajuda”, afirmou Arthur.
Sem ajuda
O estudante de Nutrição da Uerj contou que, depois de não conseguir atendimento com a polícia, encontrou uma ambulância privada em meio ao trânsito. Segundo ele, os profissionais fizeram apenas um curativo, mas não o levaram ao hospital.
“Eu achei uma ambulância no meio do trânsito, só que essa ambulância só pôde fazer o curativo. Eu fui tentar estancar o sangue, eles se negaram a me levar para o hospital porque era uma ambulância privada. Então eu tive que pegar um táxi sozinho, sangrando, para conseguir ir para o hospital”, disse Arthur.
Durante o depoimento, o jovem também falou sobre a gravidade do ferimento causado pelo disparo. Ele contou que o impacto exigiu atendimento especializado e cirurgia após a chegada à unidade de saúde.
“A bala não atingiu só meu olho, ela explodiu. Então isso me impressionou um pouco. Eu não consegui nem mensurar a quantidade de pontos que ele deu para ter que fechar esse corte de dentro do olho”, relatou Arthur.
Posição da PM
Do lado de fora da delegacia, a mãe do universitário criticou a atuação dos policiais militares no caso. Para ela, a abordagem demonstrou despreparo diante da situação vivida pelo filho.
“100% despreparados. A polícia está 100% despreparada. É uma indignação total”, afirmou Christiane Cortines Laxe da Conceição.
A Polícia Militar informou que abriu um procedimento interno para investigar as circunstâncias da ocorrência. A corporação disse ainda que acompanha as apurações sobre o caso.
O Governo do Estado afirmou que a Procuradoria-Geral do Estado procurou a Defensoria Pública para discutir a possibilidade de um acordo extrajudicial. A medida teria como objetivo assegurar atendimento médico e psicológico ao estudante.
O caso
Arthur foi atingido após o fim da partida entre Flamengo e Vasco, nas proximidades da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Segundo relatos, uma confusão teria começado depois de um roubo de celular na região.
Ainda de acordo com as informações sobre o caso, o estudante teria ficado encurralado durante a ação policial e acabou atingido no rosto por um disparo feito por um policial militar montado.
O depoimento foi prestado após Arthur receber alta médica no início da semana. Durante a internação, ele passou por cirurgia plástica e foi acompanhado por especialistas.
No hospital, o jovem também recebeu a visita do jogador Hugo Moura, na Casa de Saúde São José, no Humaitá, Zona Sul do Rio. O caso segue em apuração pelas autoridades.














