Tomógrafos em hospitais municipais são insuficientes para emergências no Rio

Hospital Salgado Filho

A falta de tomógrafos em hospitais municipais do Rio de Janeiro voltou a ser tema de debate após o caso do policial militar Cláudio Muniz, baleado na cabeça durante patrulhamento no Morro São João, no Engenho Novo. Levado inicialmente ao Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, ele precisou ser transferido às pressas para o Hospital Central da PM porque o único tomógrafo da unidade estava com defeito.

Segundo a apuração de Luiz Maurício Monteiro do Jornal o Dia, o episódio evidenciou a fragilidade da rede pública municipal quando se trata de exames de imagem em situações de emergência. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), apenas três hospitais de urgência e emergência possuem dois tomógrafos: Souza Aguiar, Andaraí e Albert Schweitzer. Em outras unidades, o exame depende do funcionamento de um único aparelho, o que pode colocar vidas em risco em caso de falhas técnicas.

Ao todo, a rede pública do Rio conta com 23 tomógrafos operando em 11 hospitais de emergência e 8 unidades gerais, especializadas ou ambulatoriais — nestas últimas, os exames precisam ser agendados previamente. Isso representa uma cobertura de apenas 23% das unidades com o número ideal de dois equipamentos, segundo critérios técnicos para atendimento contínuo em emergências.

Em entrevista ao jornal O Dia, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, reconheceu que a cobertura ainda é limitada, mas destacou avanços. “É óbvio que a gente quer ampliar, o que já vem acontecendo. Ainda não é possível ter dois tomógrafos em cada unidade, mas a gente aumenta o número a cada ano”, afirmou.

Para ilustrar o avanço, Soranz citou dados de crescimento: em 2020, a rede municipal realizou 33.242 tomografias. Em 2024, o número saltou para 131.607 — um aumento de quase 300%. Apesar disso, o secretário reconhece que o acesso universal ainda é um desafio, especialmente em comparação com a situação nacional, onde apenas 15,7% dos municípios tinham tomógrafos em 2020, conforme estudo do Centro de Ensino Unificado do Distrito Federal (UDF).

Diante da falha no tomógrafo do Salgado Filho, a equipe médica optou por estabilizar o paciente, realizar os primeiros atendimentos e transferi-lo para uma unidade com equipamento funcional. A SMS informou que o defeito já foi corrigido e que existe uma equipe dedicada à manutenção rápida dos aparelhos, além de um sistema de alerta que avisa as equipes de emergência quando um tomógrafo está inoperante.

“Quando não é possível redirecionar o atendimento, como no caso do policial, o paciente é estabilizado e transferido, como foi feito. Esse tipo de contingência é parte do protocolo”, completou Soranz.

Entre as medidas recentes da SMS está a aquisição de um novo tomógrafo de alta capacidade para o Hospital Federal Cardoso Fontes, que atualmente está sob gestão municipal. O equipamento terá capacidade para suportar até 300 kg e será destinado a pacientes superobesos. A instalação está prevista para os próximos 90 dias, o que fará com que a unidade passe a contar com dois tomógrafos.

A situação atual dos tomógrafos em hospitais municipais reforça a necessidade de ampliar a infraestrutura para garantir agilidade e eficiência nos atendimentos de emergência. Enquanto isso, a população continua exposta aos riscos causados por falhas pontuais em equipamentos fundamentais para diagnósticos rápidos e intervenções médicas imediatas.

Limpatech