Tolerância Zero Aumenta Cerco Contra ‘Máfia do Asfalto’ na Zona Sul

Prefeitura na coletiva de Imprensa

A Prefeitura do Rio e o Governo do Estado anunciaram a expansão do Programa Tolerância Zero, intensificando o combate ao comércio ambulante ilegal e ao crime organizado na Zona Sul carioca. A partir desta quarta-feira (05/08), a força-tarefa deixará de atuar apenas no calçadão e avançará sobre corredores viários e vias de acesso da orla.

A nova fase abrangerá artérias importantes como a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, Avenida Rainha Elizabeth, Rua Prudente de Moraes e Avenida General San Martin. O objetivo principal é **estrangular a logística do comércio ambulante ilegal**, que, segundo informações divulgadas, já causa prejuízos de R$ 655 mil mensais às estruturas clandestinas. Além disso, a ação visa coibir crimes de oportunidade, como furtos, roubos e arrastões.

O contingente mobilizado para a operação é expressivo, contando com um total de **1.435 agentes atuando diariamente**. Deste número, 843 são policiais militares, 540 agentes de ordem pública da SEOP e 52 guardas municipais. Essa força conjunta demonstra a seriedade com que o poder público está tratando a questão.

Foco na ‘Máfia das Barracas’ e Logística do Tráfico

O foco da operação não se restringe ao pequeno vendedor informal, mas sim a uma **”atividade econômica estruturada” alimentada pelo crime organizado**, conforme classificação da gestão municipal. As investigações já identificaram mais de 22 depósitos clandestinos responsáveis por abastecer o comércio ilegal na praia. Desde o início da segunda fase do programa, no final de julho, as equipes recolheram 15 toneladas de equipamentos e 55 kg de alimentos impróprios para consumo.

O prefeito Eduardo Cavaliere destacou a natureza organizada do esquema: “Não se trata apenas de um vendedor ambulante ou de uma ação isolada. Existe escala, padronização e uma logística de distribuição bem definida que gera muita receita para o crime”.

Cerco às Motos e Reação Armada na Zona Sul

Uma das novidades operacionais da expansão do Tolerância Zero são as **blitzes itinerantes e diárias focadas na fiscalização de motocicletas**. De acordo com setores de inteligência, as motos são o principal meio de transporte utilizado por criminosos para cometer assaltos rápidos e fugir para comunidades vizinhas. Essa medida é uma resposta direta a episódios recentes de violência explícita que assustaram a Zona Sul.

Entre os incidentes que motivaram a ação estão o tumulto generalizado no Arpoador em 21 de julho e o ataque a uma viatura da SEOP, que foi incendiada na Praça Serzedelo Corrêa, em Copacabana, na noite de 23 de julho. As investigações da Polícia Civil revelaram uma dinâmica preocupante: criminosos teriam sido pagos pelo tráfico do Pavão-Pavão-zinho para destruir patrimônio público em retaliação às apreensões realizadas pelo programa.

Dos cinco envolvidos no ataque à viatura, dois foram presos e confessaram ter recebido dinheiro para cometer o crime. Um terceiro suspeito já foi identificado pela 12ª DP. A expansão do Tolerância Zero visa, portanto, **desarticular a estrutura que financia essas ações criminosas** e restaurar a segurança e a ordem pública na região.

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