Tia Surica 85 anos é motivo de celebração para o mundo do samba. A matriarca da Portela, referência de afeto, tradição e resistência, recebeu homenagens nesta segunda-feira (17), data em que completa mais um ano de vida. Nascida Iranette Ferreira Barcellos, em 1940, em Madureira, a sambista construiu uma trajetória que atravessa décadas e emociona gerações de portelenses e amantes do ritmo.
A ligação de Tia Surica com a azul e branco começou cedo. Aos 4 anos, ela já desfilava pela Portela acompanhada da mãe, enquanto a avó a apelidava carinhosamente de “Surica”, nome que se transformaria em marca registrada. O talento e a dedicação levaram a sambista a participar, em 1966, da interpretação do samba-enredo Memórias de um Sargento de Milícias, de Paulinho da Viola, um momento histórico para a escola.
Em 1980, Tia Surica ingressou oficialmente na Velha Guarda da Portela, após convite da lendária Manacéa. Desde então, sua presença se tornou indispensável em rodas de samba, apresentações e encontros que preservam a memória da escola. Seu tradicional “Cafofo da Surica”, em Madureira, também virou referência cultural, reunindo compositores, sambistas e admiradores para celebrações que atravessam gerações.
Outro símbolo do seu legado é a famosa feijoada da Tia Surica, reconhecida como Patrimônio Histórico e Cultural do Estado do Rio de Janeiro. Em 2003, aos 63 anos, ela lançou seu primeiro CD solo, reunindo nomes como Monarco, Chico Santana e Anice, reforçando seu papel como voz fundamental da Portela.
Tia Surica também fez parte de produções audiovisuais, como a série Cidade dos Homens e o documentário Samba on Your Feet, ampliando ainda mais sua presença na cultura popular. Em 2015, tornou-se a primeira mulher a receber o título de “Cidadã do Samba”, reconhecimento que evidencia seu respeito e influência dentro do universo do samba.
Hoje, presidente de honra da Portela — a primeira mulher a ocupar esse posto —, Tia Surica representa a força feminina que sustenta a tradição portelense há décadas. Ela costuma dizer que “não está na Portela, é Portela”, expressão que resume sua vida dedicada à escola.
A comemoração de Tia Surica 85 anos reforça o impacto de sua trajetória como guardiã do samba, inspiração para novos talentos e símbolo de resistência cultural. Entre feijoadas, rodas de samba e histórias preservadas no coração de Madureira, a baluarte segue como ponte entre passado, presente e futuro da Portela.
Linha do tempo de Tia Surica
• 1940 – Nasce Iranette Ferreira Barcellos, em Madureira, e logo se aproxima do universo do samba.
• 1944 – Aos 4 anos, desfila pela primeira vez na Portela, acompanhada da mãe.
• Década de 1960 – Participa de grandes momentos da escola, incluindo o samba-enredo Memórias de um Sargento de Milícias, de Paulinho da Viola.
• 1980 – Entra oficialmente para a Velha Guarda da Portela, após convite de Manacéa.
• Anos 1990 e 2000 – O Cafofo da Surica se torna um dos espaços mais tradicionais de rodas de samba em Madureira.
• 2003 – Lança o primeiro CD solo, reunindo importantes nomes da história da Portela.
• 2015 – Torna-se a primeira mulher a receber o título de Cidadã do Samba.
• Ano recente – Assume o posto de presidente de honra da Portela, sendo também a primeira mulher a ocupar o cargo.
Curiosidades sobre a matriarca
• O apelido “Surica” foi dado por sua avó.
• A feijoada da Tia Surica é tão tradicional que virou Patrimônio Histórico e Cultural do Estado do Rio.
• O Cafofo da Surica recebeu, ao longo dos anos, sambistas de todas as escolas do Rio.
• A sambista costuma dizer que não está na Portela, mas é Portela, reforçando sua ligação profunda com a escola.
• Sua casa virou ponto turístico cultural para fãs que visitam Madureira.
Onde ver Tia Surica na TV e no cinema
• Participou da série Cidade dos Homens, da TV Globo.
• Esteve em campanhas publicitárias e programas de variedades.
• Aparece no documentário Samba on Your Feet, que celebra as raízes do samba carioca.














