TH Joias vai prestar depoimento na PF e pode ampliar investigação sobre Bacellar

Deputado TH Joias

TH Joias vai prestar depoimento na Superintendência da Polícia Federal, no Rio de Janeiro, após decisão judicial que autorizou sua condução. O ex-deputado, alvo da Operação Zargun, será ouvido sobre os desdobramentos do caso que levou à prisão do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), investigado por supostamente vazar informações sigilosas de ações policiais que resultaram na captura do próprio TH.

De acordo com a Polícia Federal, os indícios apontam que o vazamento de dados estratégicos prejudicou diretamente o avanço das investigações, caracterizando tentativa de obstrução. Bacellar está preso após operação deflagrada nesta quarta-feira (3), sob suspeita de antecipar informações a alvos monitorados pela PF.

A suspeita de acesso privilegiado e divulgação dos detalhes da Operação Zargun já havia sido levantada pelo Ministério Público no dia da prisão de TH, em setembro. Na ocasião, o procurador-geral de Justiça do Rio, Antonio José Campos Moreira, mencionou que houve “dificuldade” para localizar o ex-deputado e que sua saída repentina do condomínio na Barra da Tijuca levantou sinais de alerta. Segundo os investigadores, ele teria deixado a residência desorganizada de modo a sugerir possível fuga e eliminação de provas. Horas depois, foi encontrado na casa de um amigo, também na Barra.

Além da condução de TH, a Polícia Federal cumpriu um mandado de prisão preventiva, oito mandados de busca e apreensão — entre eles no gabinete de Bacellar na Alerj — e uma ordem de medidas cautelares. As ações foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e fazem parte do conjunto de determinações vinculadas à ADPF das Favelas, que encarrega a PF de investigar estruturas violentas do crime organizado no Rio e possíveis articulações com agentes públicos.

A oitiva de TH deve ajudar os investigadores a esclarecer até que ponto a circulação de informações reservadas favoreceu réus e interferiu na atuação policial. O depoimento também pode ampliar o alcance da investigação sobre Rodrigo Bacellar e outros nomes que, segundo a PF, possam ter colaborado com a ruptura de sigilo institucional.

A defesa de Bacellar ainda não se manifestou. O espaço segue aberto para posicionamento dos envolvidos.

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