O tenente morto no Recreio foi sepultado na tarde deste domingo no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste do Rio. Jonathan Francisco da Silva, de 34 anos, foi atingido por um tiro no pescoço durante um confronto com criminosos na comunidade Beira Rio, no Recreio dos Bandeirantes. A cerimônia reuniu mais de cem pessoas, entre familiares, amigos e colegas de farda, e foi marcada por forte emoção.
Honras militares, como três salvas de tiros ao chão, além de uma orquestra fúnebre composta por integrantes da corporação, deram o tom da despedida. Marcos Silva, amigo próximo e padrinho de casamento do policial, lembrou da importância de Jonathan para todos: “Jonathan era amigo de todo mundo e orgulho de toda a família por ser um garoto estudioso e exemplar. Ele cumpriu sua missão. Conseguiu o que queria, que era passar para a PM e chegar a oficial, mas nunca parou de estudar.” Ele ainda relatou o impacto da notícia: “Quando soube da notícia, foi como se abrisse um buraco no chão. O coração acelerou, senti um calafrio e comecei a chorar.”
No cemitério, colegas de farda também prestaram homenagens e destacaram a postura do tenente no trabalho. “Jonathan era muito humano no trato com seus subordinados. Era uma pessoa excepcional. É difícil acreditar que isso tenha acontecido com uma pessoa tão boa quanto ele”, disse um agente que trabalhou com o oficial no 40º BPM antes de sua chegada ao 31º BPM há dois meses.
Jonathan ingressou na Polícia Militar em maio de 2019, após ter servido como cabo do Exército. Formado em Direito, era morador da Pavuna e vivia há cerca de três anos no Recreio. Ele deixa esposa e uma filha de 3 anos. Segundo a corporação, incluindo esse caso, 51 policiais militares morreram em situações de violência ao longo deste ano.
O secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, compareceu ao enterro e fez um discurso contundente sobre o crime. “Jonathan era um jovem negro, de periferia, pai de família, que escolheu o lado do bem e buscou oportunidade. Um homem religioso, que foi brutalmente assassinado por narcoterroristas que deram um tiro no pescoço dele. A morte dele não vai ser em vão.”
Antes de ser socorrido ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, Jonathan participava de um cerco tático contra criminosos que, segundo a PM, tentavam invadir a comunidade Beira Rio. Ele foi surpreendido por tiros de fuzil durante a ação. Um dos suspeitos envolvidos no confronto também morreu e foi levado para o mesmo hospital.
O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital.














