O tenente-coronel suspeito de matar esposa passou a ser alvo de um processo administrativo da Polícia Militar de São Paulo, que pode resultar na sua expulsão da corporação. A medida ocorre paralelamente às investigações criminais sobre a morte da soldado Gisele Alves Santana, baleada na cabeça em fevereiro.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o procedimento disciplinar pode levar à exclusão do oficial mesmo antes de uma eventual condenação judicial. Ainda assim, o processo garante direito à ampla defesa e pode ser revertido caso haja absolvição por inexistência do fato ou negativa de autoria.
O caso será analisado por uma comissão interna da corporação. Desde que foi preso, o oficial teve o salário suspenso enquanto segue à disposição da Justiça.
A defesa informou que irá exercer plenamente o direito de defesa no Conselho de Justificação e afirmou confiar na inocência administrativa do militar. Os advogados destacaram ainda que ele deve se manifestar apenas nos autos do processo.
Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi o conteúdo de um relatório pericial que indica movimentações no celular da vítima poucos minutos após o disparo. De acordo com os dados técnicos, o aparelho foi desbloqueado cerca de três minutos depois do horário estimado do tiro.
As análises também apontam uma sequência de desbloqueios e tentativas de ligação. Antes de acionar o serviço de emergência, o oficial teria tentado contato com um superior. Somente depois disso, realizou a ligação para o 190, permanecendo na linha por alguns minutos.
Outro elemento levantado pela perícia indica possível exclusão de mensagens no celular logo após o crime. Os dados sugerem que o aparelho pode ter sido manipulado enquanto a vítima ainda aguardava socorro.
Mensagens recuperadas apontam que a policial teria manifestado intenção de se separar após suspeitas de traição, o que contraria a versão inicialmente apresentada pelo oficial.
Para os investigadores, esses elementos podem indicar tentativa de alterar a narrativa dos fatos, reforçando a linha de apuração que considera a hipótese de feminicídio e possível fraude processual.
O caso segue em investigação e pode ter novos desdobramentos tanto na esfera criminal quanto administrativa, mantendo a atenção das autoridades e da sociedade.
A cada nova revelação, o caso ganha contornos mais complexos e levanta questionamentos que ainda podem mudar os rumos da investigação.














