Um tenente-coronel da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro foi preso nesta quarta-feira, acusado de agredir, tentar estuprar e manter em cárcere privado a própria ex-namorada, que também integra a corporação, dentro de uma casa no Recreio dos Bandeirantes.
A vítima passou horas trancada no imóvel sob ameaça antes de conseguir pedir socorro externo. O caso foi levado imediatamente para a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, que efetuou a prisão do oficial.
Prisão de tenente-coronel da PM por violência contra policial militar
O suspeito foi identificado como o tenente-coronel Odair Vianna. De acordo com as informações registradas na apuração policial, os crimes começaram na terça-feira e se estenderam até a quarta-feira no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste carioca. O oficial teria entrado na residência da ex-companheira e se recusado a sair, permanecendo no local contra a vontade expressa da moradora.
A investigação preliminar aponta que a vítima permaneceu presa dentro do imóvel das 8h até as 17h. Durante todo esse período, ela teria sofrido sessões de tortura física, ameaças constantes e uma tentativa de estupro praticada pelo oficial. A policial só conseguiu ser resgatada e colocar fim ao cerco após conseguir enviar uma mensagem e pedir ajuda para terceiros.
Após o alerta, equipes policiais atuaram para conter a situação e resguardar a integridade da agente. O tenente-coronel foi localizado e detido pelas autoridades, sendo conduzido para os procedimentos cabíveis na Polícia Civil. O caso chocou moradores do bairro e mobilizou a cúpula de segurança do estado devido à patente do investigado.
O que já se sabe sobre a apuração
A investigação aponta que a vítima e o suspeito mantiveram um relacionamento no passado e que o homem não aceitava o término. A denúncia formalizada descreve que o tenente-coronel usou da força para impedir que a mulher saísse de sua própria casa e tentou cometer atos sexuais sem consentimento.
A Polícia Civil agora realiza os exames periciais necessários para documentar todas as agressões físicas e recolher provas materiais no imóvel do Recreio dos Bandeirantes. Os celulares dos envolvidos também devem passar por análise técnica para registrar mensagens, horários de comunicação e pedidos de socorro enviados pela mulher.
O oficial segue sob custódia e terá sua situação processual avaliada em audiência de custódia na Justiça fluminense. Paralelamente às investigações na delegacia, a Corregedoria Geral da Polícia Militar costuma instaurar procedimentos apuratórios internos para averiguar a conduta disciplinar de agentes envolvidos em crimes graves.
Quem responde pelo caso
O caso está sob responsabilidade da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, que realizou a formalização do flagrante e dará continuidade ao inquérito penal. O acusado responderá perante a Justiça comum pelas acusações de tortura, cárcere privado e tentativa de estupro no contexto de violência contra a mulher.
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro foi procurada a respeito dos desdobramentos funcionais da prisão de um oficial de alta patente. Procedimentos como o afastamento de funções públicas e apuração na Corregedoria da corporação são os trâmites regulamentares previstos para situações em que policiais se tornam alvos de mandados ou flagrantes.
O que fazer se você foi vítima de violência
Mulheres que enfrentam violência física, psicológica ou sexual no Rio de Janeiro podem buscar socorro imediato por meio de canais oficiais e delegacias especializadas espalhadas pelo município e pela Baixada Fluminense. O atendimento não exige a presença de um advogado para ser iniciado.
- Emergência imediata: Ligue 190 para a Polícia Militar caso o agressor esteja no local ou ameaçando sua vida. O chamado gera deslocamento de viatura urgente.
- DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher): No Rio de Janeiro, a unidade de Jacarepaguá atende casos da Zona Oeste na Rua Laura de Araújo ou na unidade central da Rua Visconde do Rio Branco, no Centro. O atendimento funciona 24 horas por dia, todos os dias.
- Medidas Protetivas de Urgência: Podem ser solicitadas diretamente na delegacia ao registrar o boletim. O juiz tem até 48 horas para determinar o afastamento do agressor e a proibição de contato.
- Central de Atendimento à Mulher: O telefone 180 funciona de forma gratuita, 24 horas, orientando sobre direitos, serviços de abrigo e apoio psicológico em todo o país.
Como denunciar casos de agressão
Vizinhos, amigos e familiares que testemunharem ou desconfiarem de qualquer situação de cárcere privado, agressão doméstica ou violência têm o dever de denunciar. O sigilo da identidade de quem faz o relato é garantido por lei em todos os serviços de inteligência.
O Disque Denúncia do Rio atende pelo número (21) 2253-1177, operando 24 horas por dia com anonimato total. Também é possível registrar denúncias de forma anônima pelo aplicativo Disque Denúncia RJ ou pelo serviço do WhatsApp oficial da entidade no número (21) 2253-1177. Relatos precisos com endereço completo ajudam a polícia a intervir antes que agressões se tornem fatais.














