O deputado e ministro Guilherme Boulos acionou a Polícia Federal após receber e-mails com ameaças explícitas de morte e exposição de dados sigilosos. A mensagem exigia o fim de sua atuação política sob graves intimidações violentas.
Ameaça por correio eletrônico expôs dados pessoais e gerou pedido de inquérito à PF
A mensagem intimidatória chegou a diferentes caixas postais eletrônicas ligadas a Guilherme Boulos. No texto, o autor listou detalhes da rotina e dados residenciais do político, além de usar termos agressivos contra sua integridade física.
O remetente encerrou o texto com saudações em alemão. Segundo a equipe de Boulos, a linguagem sugere uma aproximação ideológica com células neonazistas que atuam de forma anônima na internet brasileira.
Diante da gravidade do teor, a equipe jurídica formalizou a notícia de crime na sede da Polícia Federal. O objetivo central é rastrear o protocolo de internet e a origem das conexões utilizadas pelo agressor para enviar as mensagens.
O que já se sabe sobre o autor e as mensagens
O e-mail foi assinado com o nome de Pedro Henrique Gaiardo. As autoridades federais apuram se o remetente utilizou uma identidade real ou criou um perfil falso em serviços de mensagens criptografadas para despistar os investigadores.
O mesmo remetente já havia sido apontado como responsável por ataques digitais recentes dirigidos à deputada federal Erika Hilton. A repetição do padrão reforça a suspeita de que uma mesma pessoa ou grupo esteja coordenando disparos em série.
A mensagem continha ameaças diretas de fraturas corporais e promessas de violência física. O autor alegava motivações políticas e fiscais para justificar as agressões verbais descritas no corpo da mensagem eletrônica.
Quem responde por isso e como a polícia atua
O caso está sob responsabilidade da Diretoria de Inteligência Policial da Polícia Federal. Peritos em crimes cibernéticos analisam os metadados do e-mail, incluindo servidores de tráfego, rotas de envio e registros de provedores de internet.
Quando comprovada a autoria, o suspeito pode responder pelos crimes de ameaça, perseguição continuada e incitação à violência, com penas agravadas pelo uso da internet e motivação discriminatória ou política.
O Ministério Público Federal também acompanha o protocolo para requisitar medidas cautelares cabíveis. Entre as medidas possíveis estão mandados de busca e apreensão de equipamentos eletrônicos e quebra de sigilo telemático do investigado.
Como denunciar crimes de ódio e ameaças virtuais
Qualquer cidadão que identificar páginas, mensagens ou fóruns disseminando ódio, neonazismo ou ameaças à vida pode registrar queixas nos canais oficiais de inteligência. As denúncias auxiliam no bloqueio de plataformas clandestinas.
No Rio de Janeiro, denúncias sobre grupos extremistas podem ser repassadas anonimamente pelo Disque Denúncia pelo telefone 2253-1177, com atendimento ininterrupto em regime de 24 horas. O serviço garante sigilo absoluto de quem colabora.
No âmbito federal, o Ministério da Justiça disponibiliza o canal ComunicaBR e a própria Polícia Federal mantém espaço aberto em seu portal eletrônico oficial para o recebimento de comunicações sobre crimes de ódio na rede mundial de computadores.
O que fazer se você for vítima de perseguição na internet
O primeiro passo ao sofrer ameaças por mensagens, redes sociais ou correio eletrônico é não apagar as provas. É essencial tirar cópias de tela, salvar o código-fonte do e-mail recebido e reunir todas as mensagens trocadas.
Em seguida, a vítima deve procurar uma delegacia de polícia civil ou a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática. No estado do Rio de Janeiro, o registro inicial também pode ser realizado pela Delegacia Online da corporação.
A formalização rápida do boletim de ocorrência permite que a perícia solicite a preservação imediata dos registros de conexão aos provedores antes que as empresas apaguem os históricos operacionais.














