A técnica acusada de matar pacientes em UTI teve novo pedido de habeas corpus negado pela Justiça do Distrito Federal nesta quinta-feira (26). Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, permanece presa temporariamente por suspeita de envolvimento em três mortes ocorridas na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Anchieta, em Taguatinga.
No pedido apresentado ao Judiciário, a defesa argumentou que as diligências restantes da investigação estariam sob controle exclusivo dos órgãos estatais e que a prisão não seria mais necessária. Também sustentou que a acusada é ré primária, possui bons antecedentes e residência fixa, além de defender a aplicação de medidas cautelares alternativas.
Ao analisar o caso, o magistrado entendeu que não houve mudança no cenário processual capaz de justificar a revogação da prisão. Segundo a decisão, ainda existem diligências consideradas essenciais, como a perícia em aparelhos eletrônicos apreendidos, análise de dados armazenados em nuvem, oitiva formal de novas testemunhas — incluindo um médico e um enfermeiro que atenderam uma das vítimas — e avaliação de imagens do circuito interno de TV.
“A revogação da prisão temporária exige mudança no panorama fático-processual capaz de afastar os fundamentos que motivaram o decreto prisional. No entanto, conforme registrado nos autos, não há elementos novos que justifiquem a soltura da investigada ou a substituição da prisão por medidas cautelares diversas”, destacou o magistrado.
A decisão também ressalta que, embora parte das provas já esteja sob posse da polícia, isso não elimina o risco de eventual interferência na produção de provas. Outras diligências seguem em andamento, o que, segundo o juiz, reforça a necessidade da custódia para garantir a lisura da investigação.
Amanda está presa desde 19 de janeiro. Além dela, outros dois técnicos de enfermagem também cumprem prisão preventiva no âmbito do mesmo inquérito.
De acordo com as investigações, o trio teria administrado doses elevadas de medicamentos que teriam provocado parada cardíaca em três pacientes. As mortes estão sendo apuradas pela Polícia Civil do Distrito Federal.
O caso veio à tona após o próprio hospital comunicar às autoridades circunstâncias consideradas atípicas envolvendo os pacientes. A instituição afirma colaborar integralmente com as investigações e diz respeitar o sigilo do inquérito.
Amanda segue detida no Presídio da Colmeia pelo menos até 19 de março, quando termina o prazo da prisão temporária. Enquanto novas provas são analisadas, a Justiça mantém a medida cautelar para assegurar o andamento das apurações.














