Um caso de abuso contra turista voltou a acender o alerta sobre irregularidades no transporte na cidade. Na tarde desta semana, a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) e a Polícia Militar realizaram uma ação conjunta que resultou na condução de um motorista à delegacia, após denúncia de que um taxista cobra valor absurdo de um turista chileno. O valor cobrado pela corrida surpreendeu até mesmo os agentes.
Conforme o relato da vítima, o motorista exigiu cerca de R$ 780 por uma viagem entre o Aeroporto do Galeão, na Zona Norte, e a Barra da Tijuca, na Zona Oeste. O passageiro, ao desconfiar do preço exorbitante, decidiu interromper a corrida antes do destino final e acionou a polícia.
O caso ocorreu na Avenida Abelardo Bueno, via movimentada da Zona Oeste. Os agentes da Seop e da PM abordaram o táxi e constataram, além da cobrança abusiva, a presença de um segundo ocupante no veículo — uma pessoa sem autorização para atuar como motorista profissional.
A abordagem revelou ainda mais irregularidades. O segundo ocupante, que se identificava como auxiliar, não possuía qualquer vínculo regular com o serviço de transporte. Por conta disso, ele foi imediatamente banido da função, e a permissão do veículo foi bloqueada pelas autoridades competentes.
Ambos os ocupantes do táxi foram levados à 32ª Delegacia de Polícia (Taquara), onde o caso foi registrado. Posteriormente, os registros foram encaminhados à Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (DEAT), responsável por lidar com crimes que envolvem visitantes na cidade.
A Secretaria Municipal de Ordem Pública confirmou que a permissionária do táxi será chamada para prestar depoimento. O objetivo é entender como o veículo foi utilizado de forma irregular e por que o passageiro enfrentou uma cobrança considerada tão abusiva.
Casos como esse não são raros em grandes centros turísticos. A cobrança de tarifas abusivas, especialmente a estrangeiros, compromete a imagem do destino e prejudica os esforços do setor de turismo em atrair visitantes. O Rio de Janeiro, que se prepara para mais uma alta temporada, busca reforçar medidas de fiscalização para coibir esse tipo de prática.
Em nota, a Seop informou que intensificará a fiscalização nos principais pontos turísticos e terminais da cidade, como rodoviárias, aeroportos e orlas. Segundo a pasta, equipes estarão orientadas a agir com rigor em casos de suspeita de fraudes ou irregularidades por parte de motoristas.
A Prefeitura também estuda ampliar campanhas de conscientização, com distribuição de cartilhas informativas a turistas sobre os valores médios de corridas, como identificar táxis legalizados e quais canais devem ser usados para denunciar abusos.
A indignação do turista chileno foi compartilhada por outros passageiros que se manifestaram nas redes sociais. “É inadmissível que um estrangeiro seja recebido assim. Isso mancha a imagem da cidade e afasta visitantes”, escreveu uma internauta, em uma postagem sobre o caso.
A reportagem da Tupi FM destacou que o preço médio de uma corrida regular do Galeão à Barra da Tijuca, em táxi com taxímetro ativado, gira em torno de R$ 100 a R$ 150, a depender do horário e das condições de trânsito. O valor cobrado pelo motorista irregular, portanto, superou em mais de cinco vezes esse total.
Esse episódio reacende o debate sobre o uso de aplicativos, táxis regulamentados e a segurança no transporte urbano para visitantes. Segundo levantamento da DEAT, esse tipo de ocorrência tem se repetido em pontos de grande circulação, como Copacabana, Lapa e as imediações do Aeroporto Santos Dumont e do Galeão.
Enquanto isso, a investigação segue em curso. A permissionária do táxi deverá ser ouvida nos próximos dias, e o caso seguirá sob análise da Delegacia de Apoio ao Turismo, que também trabalha com o consulado chileno para prestar o devido apoio à vítima.














