Tartaruga é achada dentro de lixeira na Praia de Copacabana

Uma tartaruga marinha foi encontrada jogada dentro de uma lixeira na areia da Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A cena revoltou frequentadores e foi gravada por um morador, que resgatou o réptil.

Revolta na areia após flagrante de tartaruga no lixo

O caso ocorreu na altura da Praia de Copacabana e gerou revolta entre quem passava pela orla. O animal marinho estava colocado sobre os resíduos sólidos acumulados em uma das lixeiras instaladas na areia. Ao redor, sacos plásticos, garrafas descartáveis e restos de comida mostravam o rastro de sujeira deixado na praia.

O flagrante foi gravado pelo morador Julio Olmedo e repercutiu na internet. No vídeo, o homem denuncia que testemunhas teriam zombado da situação antes de abandonar a tartaruga entre os dejetos. Em seguida, o autor do registro retirou o animal com cuidado e o devolveu diretamente para as águas do mar.

Apesar da boa intenção ao devolver o bicho para a água, biólogos alertam que tartarugas encontradas na faixa de areia costumam estar doentes, debilitadas ou presas a redes de pesca. Quando colocadas de volta no mar sem avaliação veterinária, esses animais correm risco de afogamento por falta de força para subir e respirar.

Riscos do lixo plástico e da poluição para a fauna marinha

O abandono da tartaruga expõe dois problemas graves na orla carioca: a falta de respeito com os animais silvestres e a sujeira espalhada pelos banhistas. O acúmulo de plástico e lixo urbano afeta diretamente o ecossistema marinho da Baía de Guanabara e da faixa litorânea do Rio.

Tartarugas marinhas frequentemente confundem sacolas plásticas e copos descartáveis com águas-vivas, que fazem parte de sua alimentação habitual. A ingestão desse material obstrui o trato digestivo dos répteis, provocando desnutrição progressiva e morte dolorosa. Além disso, linhas de pesca e lacres plásticos causam amputações de nadadeiras.

A Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) realiza limpezas diárias em turnos regulares na orla de Copacabana. Mesmo assim, garrafas pet, bitucas de cigarro e embalagens descartáveis continuam sendo descartadas de forma irregular fora dos coletores oficiais.

Como denunciar casos de maus-tratos e crimes ambientais

Maus-tratos contra animais silvestres e poluição intencional configuram crime ambiental no Brasil, conforme a Lei Federal 9.605/1998. Quem presenciar agressões a animais marinhos ou descarte criminoso na orla deve acionar as autoridades de fiscalização.

O cidadão pode formalizar a denúncia anônima de forma imediata por diferentes canais na cidade do Rio de Janeiro:

  • Disque Denúncia: pelo telefone (21) 2253-1177, com atendimento 24 horas por dia, de forma anônima e gratuita;
  • Central 1746: serviço da Prefeitura do Rio para acionamento da Guarda Municipal e da Patrulha Ambiental;
  • Linha Verde: programa voltado exclusivamente para denúncias de crimes ambientais pelo telefone 0300 253 1177.

O caso também pode ser registrado presencialmente na 12ª DP (Copacabana) ou na 13ª DP (Ipanema), unidades que cobrem a orla da Zona Sul, ou diretamente na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), localizada na Cidade da Polícia.

O que fazer ao encontrar animais marinhos feridos na praia

Ao se deparar com tartarugas, golfinhos, pinguins ou aves marinhas encalhadas na areia, o banhista não deve tentar empurrar o animal de volta para as ondas. A recomendação dos órgãos ambientais é isolar a área para evitar tumulto e afastar animais domésticos, como cães.

O protocolo correto envolve acionar os órgãos competentes que realizam o resgate técnico e tratamento:

  • Não toque no animal nem tente alimentá-lo ou molhá-lo de forma abrupta;
  • Mantenha distância para reduzir o estresse do animal e evitar mordidas defensivas;
  • Ligue para o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) pelo telefone 0800 999 5151, que cobre o litoral fluminense com equipes de resgate veterinário;
  • Acione o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro pelo número 193 se o animal estiver em área de perigo ou arrebentação perigosa.

Os animais resgatados vivos por essas equipes especializadas passam por triagem veterinária, exames de sangue, hidratação e reabilitação em centros técnicos antes de serem soltos em mar aberto com anilhas de identificação.

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