A Polícia Civil identificou o principal suspeito de atropelar atleta amador Lucas Celestino de Oliveira, de 27 anos, em São Gonçalo. O jovem foi encontrado morto às margens da BR-101 na última semana, e o caso gerou grande comoção nas redes sociais e na comunidade local. Lucas era conhecido por sua rotina disciplinada de treinos matinais e dedicação ao trabalho.
De acordo com as investigações, o autor do crime é Everton Oliveira Lessa da Costa, motorista de van, que prestou depoimento na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo na terça-feira (15). A polícia já solicitou sua prisão preventiva, enquadrando o caso como homicídio com dolo eventual — quando se assume o risco de matar.
Investigação e imagens revelaram identidade do motorista
Segundo a polícia, o suspeito foi identificado após análise das câmeras de segurança da rodovia e depoimentos de testemunhas. As imagens mostraram a movimentação da van no local e auxiliaram na reconstrução da rota feita por Everton. A polícia também informou que, após o atropelamento, ele teria realizado reparos no veículo, como a troca do para-brisa, para dificultar a identificação.
A van usada por Everton foi apreendida, e peritos trabalham na análise de vestígios. O comportamento do motorista após o acidente é considerado agravante, uma vez que ele não prestou socorro e tentou esconder o ocorrido.
Rotina interrompida e comoção entre familiares
Lucas saía para correr todas as manhãs, por volta das 5h, no acostamento da Rodovia Niterói-Manilha, antes de ir trabalhar como operador de estacionamento. Era um hábito conhecido por familiares, vizinhos e colegas. O corpo do atleta foi localizado a poucos metros de onde foi visto pela última vez, com múltiplas fraturas. Segundo relato da família, o tênis de Lucas foi encontrado separado do corpo, indicando a violência do impacto.
O laudo do Instituto Médico Legal confirmou a causa da morte como atropelamento, devido aos diversos traumas registrados.
“Ele tinha um caráter impecável, um homem de Deus, provedor, protetor, carinhoso, amoroso”, contou a esposa Maria Eduarda, em entrevista ao G1. Ela relatou ainda que o marido costumava sair sempre no mesmo horário e que a preocupação começou quando ele não voltou para casa naquela manhã.
A tia de Lucas, Adriana de Souza Oliveira, expressou a dor da família com a tragédia. “É uma coisa que eu costumo dizer que não desejo nem para quem merece, ainda mais para o Lucas que era uma pessoa muito boa, querida por todos. Pegou a gente de surpresa, muito doloroso”, desabafou.
Desaparecimento e localização do corpo
Lucas havia sido dado como desaparecido na manhã de terça-feira. O corpo só foi encontrado no dia seguinte, mais de 24 horas após o último contato com a família. A demora aumentou ainda mais o sofrimento dos familiares, que mobilizaram buscas e divulgaram o desaparecimento nas redes sociais.
A polícia acredita que o motorista tenha fugido sem prestar socorro, e que isso possa ter contribuído para a demora no atendimento e localização do corpo. A delegacia ainda investiga se houve participação de outras pessoas na tentativa de ocultar o crime.
Justiça e mobilização por punição
O caso de Lucas Celestino causou comoção não só entre familiares e amigos, mas também em grupos de corrida e academias da região. Diversas homenagens foram feitas em redes sociais, destacando seu comprometimento com o esporte e seu perfil tranquilo.
A família agora clama por justiça e espera que a prisão do suspeito aconteça o mais rápido possível. O Ministério Público será acionado assim que o inquérito for concluído, para que o motorista seja responsabilizado criminalmente.
A Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo segue à frente das investigações e trabalha com a hipótese principal de que houve negligência, omissão de socorro e tentativa de ocultação de provas.














