A construção da tirolesa no Pão de Açúcar está oficialmente liberada. Em decisão tomada nesta terça-feira (10), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou a retomada do projeto, que estava paralisado há mais de um ano. A Segunda Turma da Corte votou majoritariamente a favor da continuidade das obras, com quatro votos a um.
O projeto prevê a instalação de quatro cabos de aço com 770 metros de extensão ligando os dois morros do complexo turístico do Pão de Açúcar. A iniciativa havia sido autorizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas foi suspensa em janeiro de 2023 após denúncias de intervenções não autorizadas na rocha.
A suspensão ocorreu após o Iphan constatar a remoção irregular de cerca de 127 metros cúbicos de rocha — o equivalente a 40 caçambas de entulho — e o derramamento de materiais durante as obras. O órgão alegou que o impacto paisagístico e ambiental não havia sido completamente avaliado.
O ministro relator Francisco Falcão, que defendeu a liberação desde março, afirmou que a paralisação causava mais danos visuais do que a conclusão da obra. Com o voto da ministra Maria Thereza de Assis Moura, que havia pedido vista, formou-se a maioria favorável à continuidade.
Obra divide opiniões
A tirolesa no Pão de Açúcar tem gerado opiniões divididas entre moradores, ambientalistas e representantes do setor turístico. Enquanto parte da população teme os impactos ambientais e paisagísticos, muitos empresários e autoridades veem na atração uma oportunidade para fomentar o turismo e a economia da cidade.
De acordo com pesquisa do Datafolha encomendada pelo Parque Bondinho Pão de Açúcar, 36% dos brasileiros dizem que a instalação da tirolesa aumentaria sua vontade de visitar o Rio de Janeiro. O levantamento, realizado com mais de 2 mil pessoas em 112 cidades, revelou ainda que 86% dos entrevistados acreditam que a atração impulsionará o turismo local.
Ainda segundo os dados, 63% têm uma visão positiva do projeto, enquanto 46% acreditam que a tirolesa terá impacto ambiental positivo. Por outro lado, 26% expressaram preocupação com possíveis efeitos negativos sobre o patrimônio natural e histórico do local.
Debate entre turismo e preservação
A construção da tirolesa reacende discussões antigas sobre os limites entre exploração turística e preservação ambiental. O Pão de Açúcar é tombado pelo Iphan como patrimônio natural e paisagístico, e qualquer intervenção na área exige análise minuciosa dos impactos.
Especialistas apontam que o projeto, embora aprovado em parte pelo Iphan, precisaria de maior rigor na fiscalização. O Ministério Público Federal também havia manifestado preocupações com a descaracterização do monumento natural.
Do outro lado, representantes do setor turístico destacam o potencial de geração de empregos e o aumento do fluxo de visitantes como fatores determinantes. A expectativa é que a nova atração se torne um símbolo de modernização do parque, sem comprometer sua identidade histórica.
Obra será retomada nos próximos dias
Com a liberação da Justiça, a obra da tirolesa no Pão de Açúcar deve ser retomada nos próximos dias. O projeto original deverá passar por ajustes para atender às exigências feitas após o embargo, incluindo novas medidas de contenção e recuperação ambiental.
A decisão do STJ encerra um impasse que se arrastava há mais de um ano e coloca novamente o turismo carioca em evidência. O Rio de Janeiro, que busca se reposicionar como destino seguro e inovador, aposta na tirolesa como símbolo dessa nova fase.
Enquanto isso, a população segue atenta às próximas etapas da construção e aos desdobramentos que podem impactar uma das paisagens mais emblemáticas do Brasil.














