Soldado do Exército vira réu por filmar ataque brutal no Rio

Miguel Felipe dos Santos Guimarães da Silva

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou réu o soldado do Exército Miguel Felipe dos Santos Guimarães da Silva, de 20 anos. Ele é acusado de gravar e transmitir ao vivo o momento em que um adolescente de 17 anos ateou fogo em um homem em situação de rua no bairro Pechincha, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio.

Miguel responde por tentativa de homicídio quadruplamente qualificado — por recompensa, motivo fútil, uso de fogo e emboscada —, além de associação criminosa e corrupção de menores. A juíza Lúcia Mothe Glioche, da 4ª Vara Criminal, converteu sua prisão em preventiva, destacando a gravidade do crime. A vítima, mesmo em chamas, ainda tentou correr em busca de socorro.

O soldado do Exército foi preso em fevereiro deste ano na saída da Ponte Rio-Niterói. De acordo com a Polícia Civil, ele planejou o ataque executado pelo adolescente, que também foi apreendido no mesmo período. Ambos integravam um grupo que promovia crimes de ódio em plataformas digitais, já monitorado pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav).

A vítima, Ludierley Satyro José, de 46 anos, sofreu queimaduras em 60% do corpo e foi encaminhada ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca.

“A extrema violência do ato e o fato de ter sido transmitido ao vivo evidenciam a periculosidade dos envolvidos. A prisão preventiva é medida necessária para resguardar a ordem pública”, afirmou a juíza em despacho, em depoimento ao jornal O Dia.

A Polícia Civil segue investigando a atuação do grupo virtual, que usava as redes para incitar e planejar ataques. A suspeita é de que os crimes eram financiados por terceiros, interessados em transmissões de violência extrema.

Reforçando essa linha de investigação, no último domingo (20), uma operação conjunta da Dcav, da 19ª DP (Tijuca) e da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte) prendeu três homens e apreendeu um adolescente. O grupo, também ligado à organização criminosa virtual, planejava assassinar outro homem em situação de rua e transmitir o crime pela internet.

Os mandados foram cumpridos em Vicente de Carvalho e Bangu. Segundo a polícia, o objetivo da quadrilha era lucrar com a divulgação dos ataques. Agora, as autoridades buscam identificar os financiadores dessas ações.

Casos como o do soldado do Exército e do grupo preso recentemente alertam para o crescimento de crimes motivados por ódio e pela busca de audiência em redes sociais. A polícia reforça a importância da denúncia anônima para coibir esse tipo de prática e evitar novos ataques.

O Disque Denúncia continua recebendo informações que possam levar à captura de outros envolvidos ou à prevenção de novos crimes. A colaboração da sociedade é considerada fundamental para desmontar essas organizações.

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