Maurício Shogun Rua, um ícone do MMA, compartilhou memórias sobre sua vitoriosa trajetória no esporte, incluindo a conquista do cinturão do UFC em 2010 e sua recente luta de despedida. O ex-campeão também expressou sua visão sobre as mudanças no estilo de luta que, segundo ele, tornaram o esporte menos empolgante.
Em uma conversa exclusiva, Shogun Rua, conhecido por seu estilo agressivo e busca pelo nocaute, relembrou os momentos que marcaram sua carreira. Sua luta mais desafiadora não foi apenas no octógono, mas também contra adversidades físicas e a própria mente.
O lutador, que encerrou sua carreira profissional recentemente, também fez um balanço sobre a evolução do MMA e o que ele percebe como uma perda de apelo em comparação com sua época de ouro, citando exemplos de lutadores que ainda representam o antigo espírito de combate.
As declarações de Shogun Rua oferecem um olhar nostálgico e crítico sobre o estado atual do MMA, contrastando a intensidade do passado com a estratégia predominante hoje. Essas reflexões vêm após sua participação em um evento especial, marcando o que ele considera ser seu último ato oficial no ringue.
O Retorno Emocional e a Despedida Definitiva
Shogun Rua revelou que sua participação em um evento em setembro, onde enfrentou Glover Teixeira, não estava nos seus planos iniciais de aposentadoria. “Estava em casa, era uma quinta-feira, e recebi o convite para voltar a lutar e participar do Spaten. De primeira fiquei meio apreensivo”, contou o lutador.
Apesar da hesitação inicial, a oportunidade de reviver a adrenalina do combate e, especialmente, enfrentar Glover Teixeira, um oponente com quem nunca havia lutado oficialmente no UFC, o convenceu. “Aceitei de primeira. O meu camp foi de dez semanas para essa luta, um pouquinho mais longo do que costumava fazer. Eu não pensava em voltar, de verdade, mas essa luta foi bem legal para trazer aquela adrenalina de novo”, explicou.
Após a luta, que resultou em derrota para Shogun, ele chegou a pedir uma revanche, um impulso emocional do momento. Contudo, o próprio lutador admitiu que essa foi apenas uma forma de reencontrar a emoção de competir. “Topei para voltar a ter esse gostinho. Na hora ali a gente está emocionado, querendo mais, pedi a revanche, mas acho que agora eu parei mesmo”, afirmou, selando sua despedida.
A Evolução do MMA e o Estilo que Faz Falta
Maurício Shogun Rua construiu sua lenda com um estilo de luta caracterizado pela busca incessante pelo nocaute e o combate em pé. Ele observa que o MMA atual parece ter mudado essa dinâmica, com atletas priorizando a vitória por pontos.
“A coisa que eu mais escutava na minha época eram as mulheres falando que os maridos paravam para me assistir, e os homens também desmarcavam alguma coisa para ver os brasileiros lutarem. Hoje em dia você não vê mais isso, não tem mais graça como antes”, comentou Shogun, lamentando a perda desse apelo popular.
Para o ex-campeão, o cenário atual do MMA permite lutas mais “mornas”, onde a estratégia de pontuação prevalece sobre o espetáculo. “Quando eu, Vanderlei, Minotauro, Werdum lutávamos, a gente sempre queria a luta acabasse rápido de alguma forma, por nocaute ou finalização, e isso mudou. Hoje em dia lutam muito para garantir pontos, os caras seguram, deixam a luta amarrada pra ir vencendo round por round, e isso torna a luta meio morna”, completou.
Referências Atuais no MMA Brasileiro
Apesar de criticar a tendência atual, Shogun Rua reconhece que ainda existem lutadores que carregam o espírito de combate que ele tanto valoriza. Ao ser questionado sobre quem se assemelha ao seu estilo de auge, ele apontou dois nomes de peso no cenário brasileiro.
“Acho que o Charles do Bronx e o Poatan são dois exemplos que sempre tentam essa luta em pé, tão sempre buscando a vitória, o nocaute, sem depender de ganhar por pontos. São os brasileiros que mais se destacam no cenário mundial”, declarou o ex-campeão, enaltecendo o talento e a agressividade de Charles Oliveira e Alex Poatan Pereira.
A Luta Mais Difícil: A Conquista do Cinturão
A noite em que Shogun Rua conquistou o cinturão do UFC, em 2010, contra Lyoto Machida, é lembrada não apenas pela glória, mas pelas imensas dificuldades que o lutador enfrentou.
“O meu cinturão foi a luta que mais tive adversidade. Estava lutando contra um apêndice de grau 2, tive que fazer a cirurgia e em tese não poderia nem estar movimentando direito”, revelou Shogun, detalhando o grave problema de saúde que o afligia.
A superação exigiu não apenas força física, mas um convencimento pessoal e de toda a equipe. “Tive que convencer um por um, desde a família, a minha própria equipe e a organização de que eu iria lutar”, disse.
A notícia sobre sua condição física chegou aos ouvidos do UFC, aumentando a pressão. “Essa informação chegou no pessoal do UFC, de que eu estava mal, recuperando ainda da cirurgia e do joelho. Foi a minha luta mais difícil que tive nesse sentido, mas quando você conquista um sonho teu, isso apaga a dor, apaga o cansaço, as frustrações. A vitória apaga tudo isso”, concluiu, ressaltando a força da conquista em superar qualquer obstáculo.













