Mãe enfrenta câncer de mama revivendo a dor da filha que faleceu pela doença
A professora Simone Araújo, de 48 anos, vive um momento delicado após ser diagnosticada com câncer de mama. A notícia veio em fevereiro de 2022, mas o medo de confirmar a doença a fez adiar a busca por atendimento médico.
A apreensão de Simone era compreensível, uma vez que ela já havia lidado com a perda da única filha e da sogra para o câncer. O receio de enfrentar novamente a doença e o sofrimento associado a ela foi um fator determinante para o adiamento da consulta.
Após a confirmação do diagnóstico, Simone passou por cirurgia, quimioterapia e radioterapia, e atualmente realiza hormonioterapia. A jornada, no entanto, é marcada pela revivência da dor da filha, como relata ao Metrópoles.
O peso das lembranças e a busca por força
Enfrentar o próprio câncer trouxe à tona lembranças dolorosas da experiência de sua filha durante o tratamento. Simone confessa que o medo de que o tratamento não surtisse o efeito esperado a impedia de manter a rotina, levando-a a se afastar do trabalho por questões psicológicas.
A força encontrada por Simone veio das memórias da coragem demonstrada pela filha e da vontade que ela tinha de cuidar dos pais. A convivência familiar ganhou um novo significado, com a valorização do tempo e do afeto compartilhados.
A importância da investigação precoce e o papel da mamografia
O oncologista Cristiano Resende, do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, destaca que o medo pode atrasar a investigação de possíveis alterações na mama. Ele ressalta que o exame apenas revela o que já existe, permitindo agir no momento certo.
Sinais como nódulos na mama ou axila, retrações na pele ou mamilo, vermelhidão persistente ou secreção espontânea pelo mamilo, especialmente com sangue, necessitam de avaliação médica. Embora muitas alterações sejam benignas, é crucial não esperar que elas cresçam ou causem dor.
A mamografia é fundamental na detecção precoce do câncer de mama, identificando alterações antes mesmo de serem percebidas pelo toque. Achados como microcalcificações, pequenos depósitos de cálcio, podem ser os primeiros indícios de lesões pré-cancerígenas ou tumores em estágio inicial, conforme explica o radiologista Gustavo Souza.
Outros exames e a esperança na cura
Ultrassonografia e ressonância magnética podem complementar a investigação, dependendo de cada caso. Uma imagem suspeita não confirma o câncer, e a biópsia é o exame que permite a análise do tecido para um diagnóstico preciso.
A identificação precoce, segundo Cristiano Resende, amplia significativamente as chances de cura e pode possibilitar tratamentos menos agressivos. Simone afirma que sua saúde está sob controle, conforme os últimos exames, e mantém o acompanhamento médico regular.
Ao compartilhar sua história, Simone encoraja outras mulheres a buscarem apoio e a cuidarem também da saúde emocional. “Não precisamos ser fortes o tempo inteiro, e não estamos sozinhas nessa caminhada”, conclui.













