Setembro Amarelo alerta: 24% de quem busca plástica pode ter dismorfia

A busca desenfreada por procedimentos estéticos e cirurgias plásticas acendeu um alerta vermelho neste Setembro Amarelo no Rio de Janeiro. Uma pesquisa publicada no Journal of Cosmetic Dermatology revelou que até 24% dos pacientes que procuram intervenções estéticas podem sofrer de transtorno dismórfico corporal, uma condição mental grave em que a pessoa fixa a atenção em falhas físicas imperceptíveis para os outros.

Busca por estética esconde transtorno grave de saúde mental

O transtorno dismórfico corporal faz com que o paciente enxergue o próprio corpo de forma totalmente distorcida. Não se trata de uma simples vaidade ou do desejo de corrigir algo pontual, mas de uma obsessão que causa sofrimento profundo, isolamento social e pode levar a quadros severos de depressão. Em consultórios da capital fluminense e da Baixada, médicos relatam que é cada vez mais comum receber pessoas buscando a décima intervenção sem nunca estarem satisfeitas com o resultado obtido.

Especialistas alertam que a pressão exercida pelas redes sociais e a cultura do filtro digital agravam o problema no dia a dia. A ideia de atingir uma perfeição que não existe na vida real faz com que homens e mulheres recorram a procedimentos caros, muitas vezes sem ter condições financeiras, acreditando que a mudança no rosto ou no corpo vai resolver frustrações pessoais, amorosas ou profissionais.

Quais são os principais sinais de alerta do transtorno?

Reconhecer a dismorfia corporal não é simples, pois o paciente costuma achar que o problema é puramente estético. No entanto, médicos e psicólogos apontam comportamentos claros que acendem o sinal amarelo na rotina de quem convive com a pessoa:

  • Preocupação exagerada: foco obsessivo em pequenos detalhes ou defeitos imaginários no rosto, pele, cabelo ou formato do corpo.
  • Checagem constante: hábito de se olhar no espelho repetidamente a cada cinco minutos ou, no extremo oposto, fugir de qualquer reflexo e foto.
  • Procedimentos em série: busca por cirurgias e intervenções uma atrás da outra, sem que o resultado anterior traga alívio ou satisfação.
  • Isolamento social: deixar de sair de casa, frequentar a praia, ir ao trabalho ou eventos familiares por vergonha exagerada da própria aparência.
  • Comparação destrutiva: passar horas comparando a própria imagem com a de influenciadores ou pessoas na rua, sentindo-se sempre inferior.

Por que a cirurgia plástica não resolve o problema?

A cirurgiã plástica Carine Barreto explica que existe uma diferença crucial entre querer ajustar um detalhe que incomoda e colocar na cirurgia a esperança de mudar totalmente de vida. Quando a expectativa do paciente não é realista, o cirurgião precisa dar um passo para trás e indicar um acompanhamento psicológico antes de pegar o bisturi.

Segundo a médica, operar alguém que tem dismorfia corporal não traz alívio emocional. A pessoa costuma sair da cirurgia frustrada, achando que o procedimento deu errado ou transferindo a obsessão para outra parte do corpo. O cirurgião plástico Alexandre Kataoka e a psicóloga Fabiane Gonçalves reforçam que a condição tem origens genéticas, neuroquímicas e ambientais, exigindo tratamento focado no cérebro e nas emoções, e não em novos cortes na pele.

Onde buscar ajuda gratuita na rede pública do Rio de Janeiro?

O tratamento para o transtorno dismórfico corporal combina psicoterapia e, quando necessário, acompanhamento psiquiátrico com medicação. Quem mora no Rio de Janeiro ou na Baixada Fluminense pode conseguir atendimento especializado de graça através do Sistema Único de Saúde (SUS):

  • Centros de Atenção Psicossocial (CAPS): você pode procurar a unidade mais próxima de casa sem necessidade de encaminhamento prévio. No município do Rio, os CAPS funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Em casos de crise aguda, os CAPS III atendem 24 horas.
  • Clínicas da Família e Postos de Saúde: a porta de entrada para encaminhamento a psicólogos e psiquiatras da rede municipal. Agende uma consulta com o clínico geral do seu posto de referência.
  • Serviços de Psicologia Aplicada das Universidades: faculdades como UFRJ, UERJ, UFF e universidades privadas oferecem atendimento psicológico gratuito ou a preços populares feito por estagiários sob supervisão de professores.

O que fazer em caso de crise e ideação suicida?

Se você ou alguém próximo estiver passando por um momento de sofrimento extremo, com sentimentos de incapacidade ou pensamentos de desistir da vida, o socorro precisa ser imediato. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e totalmente confidencial:

  • Telefone do CVV: discagem gratuita pelo número 188, disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana, de qualquer telefone fixo ou celular.
  • Atendimento online: pelo site oficial (cvv.org.br), onde é possível conversar via chat com um voluntário preparado.
  • Emergência médica: em situações de risco iminente, ligue para o SAMU pelo número 192 ou vá direto à emergência do hospital público ou Unidade de Pronto Atendimento (UPA) mais próxima.
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