Do Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, para o presídio federal de Catanduvas, no Paraná — assim foi o trajeto dos sete chefes do Comando Vermelho transferidos na tarde desta quarta-feira (12). Eles são apontados como responsáveis por ordenar atos de retaliação à megaoperação policial realizada no dia 28 de outubro nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou 121 mortos. A transferência, feita sob forte esquema de segurança, contou com apoio de policiais federais desde Bangu 1 até o Aeroporto do Galeão.
A decisão atendeu a um pedido do governo do Rio após o aumento das ações violentas nas comunidades. Os detentos foram incluídos no sistema prisional federal em cumprimento à Lei nº 11.671/2008, que prevê a transferência de presos de alta periculosidade. Todos possuem condenações ligadas ao tráfico de drogas e homicídios.
O grupo foi levado para Catanduvas, mesma penitenciária onde cumpre pena Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar — primeiro preso a ocupar uma unidade do sistema federal, em 2006. Apesar da coincidência, os novos transferidos não terão contato com Beira-Mar nem entre si, já que o presídio mantém rígido regime de isolamento e monitoramento permanente por câmeras.
Antes da operação que motivou as transferências, o estado do Rio já tinha 58 presos no sistema federal, mas isso não impediu o Comando Vermelho de ampliar sua influência em diversas regiões fluminenses. Com a nova medida, o governo busca enfraquecer a comunicação da facção a partir das penitenciárias locais.
Quem são os presos transferidos?
Marco Antônio Pereira Firmino, o My Thor — condenado a 35 anos, 5 meses e 26 dias
Um dos integrantes mais antigos da facção, My Thor é citado em processos como chefe do tráfico no Morro Santo Amaro, no Catete, Zona Sul do Rio. Preso há mais de 23 anos, ele acumula passagens por fugas e recapturas desde 1988. Em 2006, foi condenado novamente e passou 14 anos em presídios federais até retornar ao Rio em 2021.
Arnaldo da Silva Dias, o Naldinho — condenado a 81 anos, 4 meses e 20 dias
Apontado como porta-voz do Comando Vermelho, Naldinho comandava favelas no Sul Fluminense. Foi condenado por tráfico e homicídio e se tornou alvo de pedidos sucessivos de transferência. Em 2024, chegou a ordenar trégua de roubos e confrontos durante as reuniões do G20, segundo investigações da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio.
Fabrício de Melo de Jesus, o Bicinho — condenado a 65 anos, 8 meses e 26 dias
Líder do tráfico no bairro Dom Bosco, em Volta Redonda, Bicinho integra uma comissão do Comando Vermelho e responde por crimes de homicídio e tráfico. Foi condenado por envolvimento no assassinato de um homem cujo corpo foi jogado no Rio Paraíba do Sul.
Carlos Vinícius Lírio da Silva, o Cabeça — condenado a 60 anos, 4 meses e 4 dias
Conhecido como Cabeça da favela do Sabão, em Niterói, ele planejou em 2021 o sequestro de um helicóptero para resgatar presos de Bangu. O plano falhou após reação do piloto, um policial civil, que conseguiu impedir a fuga.
Eliezer Miranda Joaquim, o Criam — condenado a 100 anos, 10 meses e 15 dias
Sucessor de Elias Maluco na Baixada Fluminense, Criam acumula 27 anotações criminais, incluindo tráfico, homicídios e sequestros. Foi condenado por um ataque em 2007 em São João de Meriti, quando executou um morador e tentou matar um policial. É considerado um dos nomes mais violentos do grupo.
Alexander de Jesus Carlos, o Choque — condenado a 34 anos e 6 meses
Apontado como chefe do tráfico em Manguinhos, Choque chegou a realizar cirurgia em hospital particular na Zona Sul em agosto deste ano, sob forte escolta. Já cumpriu pena em unidade federal de segurança máxima no Mato Grosso do Sul.
Roberto de Souza Brito, o Irmão Metralha — condenado a 50 anos, 2 meses e 20 dias
Integrante do segundo escalão da facção, Irmão Metralha atua no Complexo do Alemão. Preso desde 2007, cumpre pena por tráfico de drogas e outros crimes ligados à estrutura da organização.














