Sessão de Cuidados Paliativos destaca integração entre cirurgia oncológica e humanização do cuidado

cirurgia oncológica

Parte da programação científica do XVII Congresso Brasileiro de Cirurgia Oncológica, a sessão de Cuidados Paliativos discutirá a tomada de decisão clínica, o manejo de pacientes em fase avançada da doença e as interfaces entre técnica cirúrgica e cuidado humanizado. O encontro reforça a importância da abordagem paliativa como parte integrante da prática cirúrgica e da formação médica em oncologia.

Os cuidados paliativos vêm se consolidando como um eixo indispensável da oncologia moderna e o tema ganha destaque no XVII Congresso Brasileiro de Cirurgia Oncológica, que acontece entre 5 e 8 de novembro no Windsor Barra Hotel, no Rio de Janeiro. No dia 8 (sábado), a sessão de Cuidados Paliativos em Cirurgia Oncológica reunirá especialistas de diferentes áreas médicas para discutir o papel do cirurgião oncológico diante dos desafios éticos, clínicos e humanos do cuidado integral ao paciente em fase avançada da doença.

Com moderação da médica Lara Andrade Mendes Mangieri (BA), residente de Clínica Médica do Hospital Santo Antônio – Obras Sociais Irmã Dulce, a sessão contará com a participação de Isabela Maria Alves de Almeida Oliva (BA), oncologista da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON) das Obras Sociais Irmã Dulce e vice-coordenadora da Comissão de Cuidados Paliativos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e de Eliel Oliveira de Araújo (MG), coordenador do Serviço de Cirurgia Oncológica do Hospital Ibiapaba.

A programação começa com Cláudia Naylor Lisboa (RJ), cirurgiã oncológica e ex-diretora da Unidade de Cuidados Paliativos do INCA, que abordará o tema “Tomada de decisão baseada na estratificação prognóstica”. A médica, titular da SBCO, discutirá como indicadores clínicos e funcionais ajudam a orientar condutas cirúrgicas em pacientes com prognóstico reservado, evitando intervenções desnecessárias e garantindo maior conforto e dignidade.

Em seguida, Ronald Enrique Delgado Bocanegra (BA), cirurgião oncológico e preceptor de residência no Hospital Santa Izabel, apresentará “Indicações e estratégias cirúrgicas em oncologia paliativa”. O especialista destacará o papel do cirurgião na promoção de alívio de sintomas e melhora da qualidade de vida, mesmo quando não há perspectiva curativa.

O terceiro tema será apresentado por Jairo Cerqueira de Almeida Teixeira (MG), cirurgião oncológico do Hospital Biocor Instituto, Oncoclínicas e Rede Mater Dei, que falará sobre “Procedimentos paliativos para além da cirurgia oncológica: indicações e aplicações clínicas”. Sua exposição deve mostrar como a atuação integrada entre cirurgia, radiologia intervencionista, endoscopia e cuidados clínicos avançados amplia as possibilidades terapêuticas e o conforto do paciente oncológico em fase avançada.

A médica Ana Caroline Fonseca Alves (MA), oncologista e pesquisadora clínica do Hospital São Domingos / DASA e do Hospital de Oncologia do Maranhão, abordará em sua palestra “Interfaces entre oncologia clínica e cirurgia paliativa: a potência da técnica aliada ao cuidado”. A especialista discutirá o papel das equipes multidisciplinares na condução do cuidado paliativo cirúrgico, reforçando que a abordagem técnica deve caminhar lado a lado com a escuta ativa e o respeito às preferências do paciente.

Um dos momentos mais esperados da sessão será a fala de Sandra Caires Serrano (SP), sócia-fundadora da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), que tratará do tema “Comunicação difícil e manejo de pacientes cirúrgicos em fase final de vida”. Pioneira na formação de profissionais de saúde para o cuidado humanizado, Sandra deve enfatizar a necessidade de preparar médicos e equipes para lidar com conversas complexas sobre limites terapêuticos, expectativas familiares e o fim da vida.

Encerrando as apresentações, Audrey Cabral Ferreira de Oliveira (BA), médico oncologista clínico da CLION / Oncoclínicas Salvador e coordenador da Comissão de Cuidados Paliativos da SBCO, apresentará a palestra “Cirurgia oncológica paliativa no Brasil: análise de dados e diretrizes para a prática clínica”. O especialista reunirá evidências e experiências nacionais que reforçam a urgência de integrar os cuidados paliativos às diretrizes de conduta da cirurgia oncológica.

Após as exposições, os participantes se reunirão em uma discussão conjunta para refletir sobre o papel do cirurgião em um cenário de crescente complexidade e exigência ética. A integração entre técnica e empatia, apontam os palestrantes, é o caminho para uma oncologia mais humana, que respeita o tempo e o desejo de cada paciente.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) tem sido protagonista na ampliação desse debate e na defesa de políticas que incorporem os cuidados paliativos como parte estruturante da assistência. O tema, que atravessa dimensões técnicas e humanísticas, representa um ponto de convergência entre ciência e compaixão e reforça que a excelência cirúrgica também se mede pela capacidade de cuidar. Ao colocar os cuidados paliativos no centro da programação científica, o Congresso reafirma a maturidade da cirurgia oncológica brasileira em reconhecer que, em muitos casos, o sucesso terapêutico está em aliviar a dor, preservar a autonomia e oferecer conforto.

XVII Congresso Brasileiro de Cirurgia Oncológica

1º Congresso Internacional de Cirurgia Oncológica
5 a 8 de novembro de 2025
Windsor Barra Hotel – Rio de Janeiro (RJ)
Endereço: Av. Lúcio Costa, 2630 – Barra da Tijuca

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