Um esquema de fraude milionário no Departamento de Trânsito do Distrito Federal usava a conta bancária da esposa de um servidor público para receber propina. A denúncia do Ministério Público detalha que o funcionário repassava senhas do sistema interno para terceiros adulterarem dados de veículos.
O servidor Alexandre Macedo da Rosa é apontado pela Polícia Civil como o líder da organização criminosa. Ele usava o cargo para acessar e liberar credenciais do sistema Getran, permitindo alterações ilegais nos registros de automóveis.
Esquema de adulteração de veículos e divisão de propina
As investigações conduzidas pela 17ª Delegacia de Polícia revelaram que o grupo realizou pelo menos 600 operações irregulares. O bando utilizava até a senha de uma servidora em horários fora do expediente dela para não chamar atenção das autoridades.
Segundo a denúncia enviada à Justiça, a esposa do servidor, Shana Rodrigues Macedo, cedia a chave Pix pessoal para ocultar a origem do dinheiro. Os valores cobrados para realizar as alterações fraudulentas eram repartidos entre os integrantes da quadrilha.
Como funcionava o repasse das senhas e o pagamento?
O funcionário público fornecia seu login e senha do sistema Getran para intermediários do esquema. Os suspeitos Caio Raffael Furtado, Pedro Cruz Filho e Huggo Luciano Gomes de Lima captavam motoristas interessados nas fraudes.
Após fechar o valor do serviço ilegal, os intermediários indicavam a chave Pix de Shana para o depósito da propina. O objetivo principal da tática era dissimular o dinheiro vindo do crime e evitar a ligação direta com o servidor.
Qual a situação dos envolvidos na Justiça?
O casal se entregou à Polícia Civil do Rio Grande do Sul em junho, após a deflagração da operação policial. A Justiça decretou a prisão preventiva dos investigados para garantir a ordem pública e evitar novas fraudes.
A defesa de Alexandre e Shana tenta reverter a prisão preventiva. Os advogados já apresentaram quatro pedidos de habeas corpus no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, mas as solicitações foram negadas. O espaço segue aberto para a manifestação das defesas dos citados.
O que o motorista deve fazer ao desconfiar de irregularidades?
Para o cidadão que consulta a situação de um veículo e encontra dados divergentes no documento, a orientação oficial é procurar imediatamente um posto de atendimento do departamento de trânsito local. Alterações não autorizadas podem gerar multas e apreensão do bem.
Denúncias sobre conduta irregular de servidores ou intermediários em órgãos públicos podem ser feitas de forma anônima pelas ouvidorias oficiais ou pelo telefone 181 da Polícia Civil.
Foto: Metropoles















