O general da reserva Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, prestou depoimento à Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (10) e revelou detalhes do estado emocional do ex-presidente Jair Bolsonaro após a derrota nas eleições de 2022. Segundo ele, Bolsonaro ficou “abatido, pesaroso, depressivo e doente” nos meses que sucederam o pleito.
Durante o interrogatório, Nogueira relatou que esteve com Bolsonaro com frequência entre novembro e dezembro daquele ano, chegando a visitá-lo cerca de 20 vezes no período. “O presidente, desde o término das eleições, ficou abatido, pesaroso, depressivo, doente, e eu me preocupei com a saúde do presidente”, afirmou em depoimento ao jornal O Dia.
O general também revelou que, naquele momento, Bolsonaro buscava apoio e conforto em conversas com aliados mais próximos. Segundo ele, relatos do ex-ajudante de ordens indicavam que a presença de Nogueira fazia bem ao ex-presidente, que usava os encontros para desabafar. “Os 15 primeiros dias do presidente foram quase um velório. Depois, ele foi melhorando”, acrescentou.
Sérgio Nogueira é um dos oito réus investigados na ação penal que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado para anular o resultado das eleições presidenciais. O processo é conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.
Durante a audiência, o ex-ministro também respondeu sobre o relatório elaborado pelas Forças Armadas a respeito da segurança das urnas eletrônicas. Ele negou ter sido pressionado por Bolsonaro para alterar ou manipular qualquer dado.
“Eu não despachei documento nenhum. Não houve reunião, não levei relatório para o presidente assinar. O presidente jamais me pressionou. Seja para mandar o relatório somente no 2º turno, seja para alterar o relatório. O que me deixa de cabeça quente na denúncia é que dizem que alterei esse relatório”, disse Nogueira.
Ele defendeu que o papel das Forças Armadas foi exclusivamente de fiscalização, sem qualquer intenção de contestar o resultado das urnas. Afirmou ainda que o relatório foi construído com base em critérios técnicos e que não houve interferência política no processo.
Além de Sérgio Nogueira, já prestaram depoimento ao STF outros nomes envolvidos na investigação, como o almirante Almir Garnier, o ex-ministro Anderson Torres, o general Augusto Heleno e o próprio Jair Bolsonaro. Nesta terça-feira, também foi ouvido o general Walter Braga Netto, que foi candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro e ex-ministro da Defesa.
As audiências fazem parte de uma série de oitivas conduzidas pelo Supremo para esclarecer a eventual existência de uma tentativa articulada de deslegitimar o resultado eleitoral e viabilizar uma ruptura institucional.
A expectativa é de que, nos próximos dias, o ministro Alexandre de Moraes analise os depoimentos para definir os próximos passos do processo, que segue sob sigilo parcial.














