O sargento do Bope dado como morto tem alta 20 dias após ser atingido em operação, em um dos casos mais marcantes da Operação Contenção, deflagrada nos Complexos do Alemão e da Penha em 28 de outubro. Carlos Alair da Costa Sales, de 41 anos, deixou o Hospital Central da Polícia Militar na manhã de segunda-feira, caminhando, consciente e aplaudido por colegas que acompanharam sua recuperação considerada improvável pelos médicos.
A operação que deixou o sargento gravemente ferido mobilizou cerca de 2,5 mil agentes das polícias civil e militar. Segundo o balanço divulgado pelos órgãos estaduais, a ação resultou em 121 mortes, incluindo quatro agentes de segurança, e 113 prisões. Além disso, 93 fuzis foram apreendidos durante a ofensiva, concentrada em áreas dominadas pelo tráfico na Serra da Misericórdia e em regiões estratégicas dos dois complexos.
Alair fazia parte do grupo conhecido como “Muro do Bope”, técnica utilizada para encurralar criminosos em áreas de difícil acesso. Durante o confronto, ele foi atingido por um disparo de fuzil no ombro. Inicialmente, segundo a Polícia Militar, a lesão parecia de menor gravidade, mas o projétil atingiu uma artéria vital, provocando hemorragia severa e levando o militar a uma parada cardiorrespiratória. O sargento ficou 17 minutos sem sinais vitais antes de ser reanimado.
O atendimento começou no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, onde ele foi estabilizado. Depois, foi transferido para o Hospital Central da PM, onde enfrentou um período de cuidados intensivos. A evolução clínica gradual surpreendeu as equipes que atuaram no caso pela gravidade do ferimento e pela ausência de sinais vitais por tantos minutos.
Na saída do hospital, Alair estava visivelmente emocionado e foi recebido por colegas que formaram um corredor humano para celebrar sua recuperação. A Polícia Militar informou que o sargento ainda passará por um período de reabilitação antes de retomar suas atividades operacionais.














