O G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro homenageia Rosa Magalhães no enredo que levará à Sapucaí em 2026. A escola anunciou nesta quarta-feira (21) que o tema escolhido será “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”. A proposta é apresentar um desfile lúdico, repleto de referências à trajetória criativa da saudosa carnavalesca.
A revelação foi feita no barracão da agremiação, na Cidade do Samba, com a presença de personalidades do samba, jornalistas, estudiosos e admiradores da obra de Rosa. Entre os convidados estavam Leonardo Bruno, Luiz Antônio Simas, Rachel Valença, Milton Cunha e Elmo dos Santos, além do intérprete Igor Sorriso.
O enredo será desenvolvido por uma equipe comandada pelo carnavalesco Jorge Silveira, que assina a criação junto com o curador Leonardo Antan. O desfile promete conduzir o público por uma espécie de fábula visual, que parte da biblioteca mágica onde Rosa realizava suas pesquisas até o universo encantado por onde passeiam personagens do folclore brasileiro, da cultura indígena, da literatura europeia e das narrativas populares.
“Rosa foi o maior nome que a cultura carnavalesca brasileira produziu. Em 2026, o Salgueiro encerra os desfiles convidando o mundo do samba a celebrar a maior de todos nós”, afirmou Jorge Silveira. Para Leonardo Antan, a homenagem tem valor histórico e educativo: “Ela revelou histórias transbordantes de Brasis e será uma honra transformar tudo isso em enredo.”
Um legado eternizado na avenida
Rosa Magalhães foi uma das carnavalescas mais premiadas do país. Professora de belas artes da UFRJ, era conhecida por seu rigor histórico, pela estética sofisticada e por transformar enredos em verdadeiras obras de arte. Seu estilo misturava o barroco à arte contemporânea, sempre com narrativas repletas de crítica e imaginação.
A relação de Rosa com o Salgueiro remonta aos anos 1970, quando integrou a equipe criativa de mestres como Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues. Em 1971, participou do emblemático desfile “Festa para um rei negro”. Nos anos 1990, voltou à escola como carnavalesca principal, conquistando bons resultados com os enredos “Sou amigo do rei” e “Me masso se não passo pela Rua do Ouvidor”.
Com oito títulos no currículo por escolas como Imperatriz Leopoldinense, Império Serrano e Unidos de Vila Isabel, Rosa também dirigiu a abertura dos Jogos Pan-Americanos de 2007, trabalho que lhe rendeu um Emmy Internacional.
Agora, seu nome será exaltado pela Academia do Samba, que terá a honra de encerrar os desfiles de 2026 na terça-feira de carnaval, dia 17 de fevereiro. A expectativa é que o tributo seja um dos momentos mais emocionantes da próxima folia carioca.














