SAF do Botafogo à venda: Textor se posiciona após anúncio em jornal britânico

SAF do Botafogo à venda

A SAF do Botafogo à venda ganhou repercussão internacional após a publicação de um anúncio em um jornal britânico informando que os principais ativos do grupo Eagle Football Holdings Bidco estão disponíveis para negociação. Entre eles, está a participação majoritária no clube carioca, o que gerou questionamentos sobre o futuro da equipe.

A iniciativa partiu da consultoria inglesa Cork Gully, responsável pela administração judicial do conglomerado desde o fim de março. O anúncio foi publicado na nona página do tradicional jornal britânico Financial Times, descrevendo o Botafogo como um dos clubes mais históricos do Brasil e convidando interessados a apresentarem propostas formais.

Além da equipe alvinegra, também foram colocadas à venda as participações do grupo em outros clubes de futebol, como o Olympique Lyonnais, da França, e o RWDM Brussels, da Bélgica. Os potenciais compradores devem manifestar interesse diretamente aos administradores da consultoria responsável pelo processo.

Diante da repercussão, o empresário John Textor, atual controlador da SAF do Botafogo, esclareceu que o anúncio segue um procedimento padrão em casos de administração judicial no Reino Unido. Segundo ele, a medida não representa necessariamente uma decisão definitiva de venda.

“Isso é uma exigência rotineira e legal em qualquer administração judicial, pois eles sabem que os acionistas e credores atuais farão ofertas. Portanto, eles precisam solicitar propostas do público antes de fechar qualquer negócio internamente. Acho que isso é novidade para as pessoas no Brasil, mas esse é o protocolo na Inglaterra”, explicou o empresário.

O Olympique Lyonnais também se manifestou oficialmente sobre o processo. Em comunicado, o Conselho de Administração do Eagle Football Group informou que tomou conhecimento dos desdobramentos relacionados à administração judicial da Eagle Football Holdings Bidco Limited, acionista majoritária da empresa.

O texto destaca que, conforme as recomendações da Autorité des marchés financiers (AMF), a companhia poderá compartilhar informações confidenciais com potenciais interessados na aquisição das ações, desde que haja demonstração de interesse legítimo e assinatura de acordos de confidencialidade. Entre os possíveis interessados, foi mencionado um consórcio composto por fundos geridos pela Ares Capital e uma afiliada de Michele Kang, presidente do Conselho de Administração e diretora executiva do grupo.

Além disso, foi criado um Comitê Ad Hoc formado por diretores independentes — Gilbert Saada (presidente), Nathalie Dechy e Victoria Wescott — com a missão de supervisionar o processo de administração judicial e avaliar eventuais propostas de aquisição, garantindo transparência e alinhamento com as melhores práticas de governança corporativa.

A eventual venda da SAF do Botafogo pode representar uma mudança significativa no controle do clube e impactar diretamente seu futuro esportivo e financeiro. No entanto, conforme ressaltado por John Textor, o anúncio deve ser interpretado como parte de um procedimento formal e não necessariamente como a confirmação de uma negociação em andamento.

A situação segue sendo acompanhada de perto por torcedores, investidores e pelo mercado do futebol, enquanto novos desdobramentos são aguardados nas próximas semanas.

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