Rua da Carioca ganha nova cara com obras do polo cervejeiro no Centro

Obras na Rua da Carioca

Rua da Carioca já começa a ganhar uma nova cara com o avanço das obras do projeto conhecido como Rua da Cerveja, que pretende transformar a via em um polo cultural, gastronômico e cervejeiro no Centro do Rio. A iniciativa busca recuperar o movimento da região e reverter o cenário de esvaziamento econômico visto nos últimos anos.

Símbolo histórico da cidade, a rua já foi referência no comércio, na boemia e na vida cultural carioca. Endereços marcantes, como o Bar Luiz e o Zicartola, ajudaram a consolidar a vocação do local como ponto de encontro. Agora, a proposta é resgatar parte dessa identidade com a ocupação de imóveis, abertura de novos negócios e valorização do espaço público.

A requalificação prevê redução de três para duas faixas destinadas a carros e ônibus, ampliação das calçadas, nova iluminação, arborização e criação de áreas de convivência. As intervenções também incluem recuperação da drenagem, implantação de pavimentação, acessibilidade, instalação de mobiliário urbano, jardineiras, bancos e requalificação das calçadas em pedra portuguesa e granito.

O investimento é de R$ 3,6 milhões, e a previsão da Prefeitura é que as obras sejam concluídas no segundo semestre de 2026. Segundo o projeto, as calçadas serão ampliadas em cerca de 1,5 metro de cada lado da via, priorizando a circulação de pedestres e o uso dos espaços por bares e restaurantes.

A transformação já movimenta empreendedores ligados à cerveja e à gastronomia. Ao jornal O Dia, o empresário Raphael Vidal, sócio de uma das cervejarias, afirmou: “O projeto da Rua da Cerveja é muito importante porque a Rua da Carioca sempre teve uma vocação: o encontro. É uma rua histórica com arquitetura especial, que sofreu muito com o esvaziamento do Centro. Ajudará a devolver a Rua da Carioca como destino turístico, boêmio e cultural. A minha expectativa é que vire um novo polo gastronômico e cultural do Centro, conectado à história da cidade. O Centro do Rio tem uma potência enorme”.

Apesar dos impactos das obras no movimento atual, principalmente à noite e nos fins de semana, os empresários esperam uma retomada gradual da circulação. Raphael Vidal também afirmou ao jornal O Dia: “Assim que a rua estiver pronta, temos um calendário mensal de eventos culturais. Com as mesas nas calçadas e diversas cervejarias, o cotidiano voltará para a Rua da Carioca”.

O empresário Luiz Oliveira, sócio de outra cervejaria, também vê o projeto como uma chance de revitalizar a região. Ao jornal O Dia, ele declarou: “Uma área cheia de história não pode morrer, não pode ficar abandonada. A Rua da Carioca estava vazia, com poucos comércios, imóveis abandonados caindo aos pedaços. Agora, você já consegue ver obras nos imóveis e fachadas sendo restauradas. Será uma rua super movimentada com novos atrativos. Esperamos que as lojas de instrumentos musicais, que ainda estão por aqui, continuem porque elas fazem parte desta história”.

As seis primeiras cervejarias do polo já estão em funcionamento. Ao longo de 2025, esses estabelecimentos venderam 300,9 mil chopes. Segundo a Prefeitura, outras duas operações selecionadas no primeiro edital do projeto devem ser inauguradas até o fim de 2026. Também há estudos para ampliar o programa.

A Casa do Choro, fundada em 2015 e localizada na Rua da Carioca, também acompanha com expectativa as mudanças. O espaço realiza shows semanais, palestras, aulas e eventos voltados ao choro e à música brasileira. A ideia da direção é retomar festivais após o fim das obras.

Uma das fundadoras da Casa do Choro, a cavaquinista Luciana Rabello, afirmou ao jornal O Dia: “Espero que melhore o movimento no Centro, que faça a cidade ter o que sempre teve: o movimento bonito em torno das ações sociais. As obras, claro, são um transtorno, mas estamos felizes que estão sendo feitas. Já passamos por coisas bem piores. A maior parte das lojas ainda estão fechadas. Isso ainda dá um ar de cidade fantasma. Deu uma melhorada com as poucas cervejarias abertas, mas ainda não é o que a gente espera que venha ser. Se o movimento já foi péssimo, com nota 0, agora tem nota 3. A gente espera que chegue à nota 10”.

A história da Rua da Carioca remonta ao fim do século XVII, quando o local era apenas um caminho ao pé do Morro de Santo Antônio. Em 1848, recebeu o nome atual por ficar no caminho para o Chafariz da Carioca. A via foi tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) em 1985.

Com obras, novos negócios e a força de espaços culturais tradicionais, a Rua da Carioca tenta reencontrar sua vocação histórica como ponto de encontro, boemia e circulação no Centro do Rio.

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