Rodoviária e creche embargadas em Xerém: Terreno contaminado com chumbo e substâncias cancerígenas vira alvo do MP e Inea

Obras paralisadas em Xerém: Terreno contaminado com metais pesados e substâncias cancerígenas é embargado e vira alvo do Ministério Público

Um projeto ambicioso em Xerém, distrito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, que previa a construção de um terminal rodoviário e uma creche, foi abruptamente interrompido. O motivo: o terreno onde as obras estão avançadas foi identificado como contaminado por metais pesados, como chumbo, e por substâncias químicas com potencial cancerígeno.

A descoberta, baseada em documentos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), gerou uma série de ações. O Ministério Público do Rio (MP-RJ) já instaurou um inquérito civil para apurar todas as responsabilidades no caso, enquanto o Inea determinou o embargo das obras e a interdição de uma escola municipal instalada no local.

As autoridades ambientais apontam um **risco iminente à saúde e à vida** de pessoas e animais, intensificando a preocupação com a segurança na região. A situação levanta sérias questões sobre o conhecimento prévio da contaminação e os procedimentos adotados na aquisição e desenvolvimento do projeto. Conforme divulgado pela BandNews FM, o caso está sob investigação rigorosa para garantir a responsabilização e a recuperação da área afetada.

Inea embarga obras e aponta risco grave à saúde pública

O embargo das obras pela Inea ocorreu não apenas pela **contaminação do solo e da água subterrânea**, mas também pela falta de licenciamento ambiental adequado para a construção da rodoviária e da creche. O órgão ambiental foi enfático ao declarar o **risco iminente à saúde e vidas humanas e de animais**, justificando a paralisação imediata das atividades.

Além disso, o Inea determinou que o Instituto Rio Metrópole e a empreiteira responsável têm um prazo, até o dia 15 de julho, para **estabilizar os materiais da obra e desmontar as estruturas já erguidas**. O objetivo é prevenir qualquer tipo de acidente e mitigar os riscos enquanto as investigações e providências são tomadas.

A Prefeitura de Duque de Caxias, segundo o Inea, **tinha conhecimento da contaminação** do terreno. Em 2024, o município adquiriu a área por R$ 6 milhões, e a própria escritura pública do imóvel registra que a antiga indústria Vetec Química Fina já havia informado sobre a poluição. Posteriormente, a Vetec foi incorporada pela Sigma-Aldrich, do grupo alemão Merck.

Prefeitura ciente da contaminação e destruição de poços de monitoramento

Um ponto crítico revelado pelo Inea é que as obras, mesmo em andamento, **destruíram pelo menos 30 poços de monitoramento** das substâncias químicas presentes no terreno. Essa ação comprometeu a capacidade de acompanhar a evolução da contaminação e a eficácia de possíveis medidas de remediação.

O contrato para a construção do terminal rodoviário, com cerca de 60% já edificado, foi assinado no ano passado entre o Instituto Rio Metrópole e a empreiteira Riobras, no valor de R$ 24,463 milhões. O Inea esclareceu que a licença ambiental vigente para o terreno autoriza apenas a recuperação da área contaminada, com foco em investigação, intervenção e monitoramento, prevendo um futuro uso como estacionamento.

O órgão ambiental ainda informou que **aplicou penalidades à Prefeitura de Duque de Caxias**, cujos valores das multas estão em fase de análise. A ausência de licenciamento para rodoviária e creche é um dos principais focos da investigação.

Merck afirma cumprir obrigações de remediação, enquanto Instituto Rio Metrópole atribui responsabilidade à prefeitura

Em nota, o grupo Merck declarou que **cumpre todas as obrigações de remediação ambiental** do antigo terreno em Xerém, em conformidade com a legislação brasileira e acordos firmados com as autoridades. A empresa ressaltou que, desde a venda da área em 2024, não participa das decisões sobre o uso futuro do imóvel.

Por sua vez, o Instituto Rio Metrópole afirmou que o desenvolvimento do projeto, incluindo licenciamento ambiental e responsabilidades técnicas, é de competência da Prefeitura de Duque de Caxias. Segundo o instituto, sua atuação se limita à contratação da empresa executora da obra, e que mantém contato com o Inea e a prefeitura para atender às exigências e buscar a continuidade do projeto.

Até o momento, a Prefeitura de Duque de Caxias e a empreiteira Riobras não haviam se manifestado sobre o caso quando procuradas pela BandNews FM.

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