Rocinha questiona terminal intermodal e pede prioridade ao saneamento

Rocinha questiona terminal intermodal e pede prioridade ao saneamento

Terminal intermodal na Rocinha está no centro de um debate entre moradores e poder público após a apresentação do plano de urbanização do PAC Periferia Viva. A proposta, desenvolvida pelo governo federal em parceria com a Prefeitura do Rio, prevê investimentos de R$ 350 milhões na comunidade, incluindo a construção de um equipamento de transporte com cerca de três mil metros quadrados.

A União Pró-Melhoramentos dos Moradores da Rocinha (UPMMR) manifestou posicionamento contrário à iniciativa e defende que os recursos sejam destinados exclusivamente a obras de saneamento básico, como esgoto, abastecimento de água e drenagem.

A controvérsia ganhou força depois da publicação do decreto municipal 57.556, no Diário Oficial de 23 de fevereiro, que autoriza a desapropriação de um imóvel na Estrada da Gávea para viabilizar o novo terminal. Em nota divulgada no sábado, a associação classificou como “essencial e inadiável” a priorização da infraestrutura sanitária.

“Não se constrói mobilidade sobre esgoto a céu aberto”, afirma o manifesto da entidade, que sustenta que intervenções voltadas à mobilidade urbana não devem avançar enquanto persistirem problemas estruturais relacionados ao esgoto e à drenagem.

O diretor de projetos e relações institucionais da UPMMR, William de Oliveira, explicou que a divulgação das maquetes do terminal motivou a manifestação pública. Segundo ele, durante reunião realizada em 7 de janeiro com o prefeito Eduardo Paes, na quadra da Acadêmicos da Rocinha, moradores já teriam defendido a prioridade para o saneamento.

“Quando vimos a divulgação das maquetes, ficamos em alerta. A do terminal foi o estopim para que expuséssemos nossa posição. Até temos necessidade de outras coisas, mas não adianta ter um terminal de transporte lindo, e o morador ter que pisar no esgoto para chegar até ele. Não vamos abraçar esses projetos que só servem como maquiagem. Temos mais de 20 valões a céu aberto, de onde saem ratos que entram nas casas e causam leptospirose. Não pode, em 2026, as pessoas morrerem porque um roedor urinou em sua comida”, disse William.

Além da rede de esgoto e do abastecimento de água, a associação também cobra a implantação de um sistema de drenagem capaz de reduzir os impactos das chuvas intensas, que frequentemente provocam alagamentos e invadem residências na comunidade.

O PAC Periferia Viva prevê intervenções em cerca de 280 mil metros quadrados na Rocinha, com obras de abertura de vias, melhorias em infraestrutura urbana e serviços de saneamento. A Prefeitura informou que o cronograma será definido em diálogo com lideranças locais e que as ações de saneamento estão entre as prioridades do projeto. No entanto, não detalhou qual parcela do orçamento será especificamente destinada às redes sanitárias.

Sobre a desapropriação do imóvel onde está previsto o terminal, o município afirmou que a medida segue o planejamento aprovado no âmbito do PAC e tem como objetivo garantir a destinação pública da área, evitando uso privado incompatível com o projeto.

O debate amplia a discussão sobre prioridades em políticas de urbanização e coloca em evidência as demandas históricas da Rocinha por infraestrutura básica.

Limpatech