O ritual de gurufim marcará a despedida do cantor e compositor Arlindo Cruz, que será velado neste sábado (9) a partir das 18h, na quadra do Império Serrano, em Madureira, Zona Norte do Rio de Janeiro. O evento será aberto ao público e, segundo a agremiação, poderá se estender até a manhã de domingo, mantendo viva uma tradição que mistura luto e celebração.
O que é o gurufim?
O gurufim é uma prática fúnebre de origem banto, trazida ao Brasil por africanos escravizados e preservada em comunidades negras, especialmente ligadas ao samba. Ao contrário dos velórios convencionais, o gurufim transforma a despedida em um momento festivo, com música, dança, bebida e confraternização.
O objetivo é celebrar a vida da pessoa que partiu, ressaltando suas conquistas, histórias e legado cultural. O ambiente é de comunhão, não apenas de lamento, e representa uma forma de resistência e preservação da identidade africana no Brasil.
História e raízes africanas
Segundo a historiadora Juliana Bonomo, o gurufim chegou ao Rio no início do século XX, quando comunidades negras foram deslocadas para morros e subúrbios por processos de gentrificação. Nessas regiões, o ritual tornou-se uma expressão de pertencimento e solidariedade.
A tradição remonta a ritos africanos em que a morte não é vista como fim absoluto, mas como passagem para outra etapa da existência. Esse entendimento valoriza a memória do falecido e reforça os laços comunitários.
Gurufim no samba e na cultura popular
O gurufim é comum em velórios de personalidades do samba. Martinho da Vila relembra que, antigamente, os corpos eram velados em casa, sobre a mesa de jantar, enquanto familiares e amigos se revezavam para prestar homenagens e brincar, evitando que as pessoas dormissem.
Nos tempos atuais, os rituais acontecem em quadras de escolas de samba ou espaços comunitários, respeitando a essência da tradição, mesmo com adaptações.
A despedida de Arlindo Cruz
No caso de Arlindo Cruz, o gurufim acontece na quadra do Império Serrano, escola pela qual o artista tinha profunda ligação. Amigos, familiares, sambistas e fãs se reúnem para prestar a última homenagem, transformando a dor da perda em celebração da vida e obra do cantor.
Após o velório, o corpo será sepultado no domingo (10), às 11h, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste do Rio.














