Rio lidera saída de moradores, aponta Censo 2022

Praia no Rio de Janeiro

A saída de moradores do Rio de Janeiro nos últimos anos colocou o estado na liderança do ranking de perdas populacionais, segundo dados divulgados pelo Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira (27). O levantamento revelou que mais de 29 milhões de brasileiros atualmente vivem em estados diferentes daqueles onde nasceram, evidenciando um redesenho migratório em todo o país.

O estado do Rio registrou um déficit migratório de 165.360 habitantes, o que representa uma queda de 1,03% em relação à população residente em 1º de agosto de 2022. Essa é a maior retração entre todas as unidades federativas do país. A combinação entre violência urbana, desemprego e a crise no setor petrolífero é apontada como o principal motivo para o abandono do estado por milhares de pessoas.

A região Sudeste como um todo apresentou saldo migratório negativo — algo que não acontecia desde 1991. Apesar de concentrar os maiores centros urbanos e a maior parte da atividade econômica nacional, o Sudeste viu uma crescente evasão de moradores em busca de melhor qualidade de vida em outras regiões.

Logo após o Rio de Janeiro, São Paulo também registrou perda de população. Foram cerca de 90 mil pessoas que deixaram o estado mais populoso do Brasil no mesmo período. O número, no entanto, representa uma perda proporcionalmente menor em relação ao tamanho da população paulista.

Na contramão, Santa Catarina apresentou o maior ganho populacional do país, com a chegada de 354.350 pessoas entre 2017 e 2022, o que equivale a um crescimento líquido de 4,66%. O estado do sul tem se destacado nos últimos anos como destino de migrantes que buscam segurança, serviços públicos de melhor qualidade e desenvolvimento econômico.

O Censo 2022 também revelou um outro fenômeno social marcante: a queda na taxa de fecundidade no Brasil. As brasileiras estão tendo menos filhos e adiando a maternidade. Em 2022, a Taxa de Fecundidade Total no país foi de 1,55 filho por mulher, abaixo do nível de reposição populacional, que é de 2,1. Segundo especialistas, esse dado é reflexo direto do aumento da escolaridade feminina e da maior participação das mulheres no mercado de trabalho.

O levantamento do IBGE também mostrou que a porcentagem de mulheres sem filhos vem crescendo ano após ano. Em 2000, apenas 10% das mulheres brasileiras não tinham filhos. Em 2022, esse índice chegou a 16,2%. No Rio de Janeiro, o número foi ainda mais alto: 21% das mulheres declararam não ter filhos, a maior taxa entre todos os estados do Brasil.

O crescimento desse grupo tem implicações diretas sobre o futuro demográfico do país, impactando desde políticas públicas de saúde e educação até o planejamento previdenciário e o mercado imobiliário. Especialistas avaliam que o Brasil está entrando em um ciclo de envelhecimento populacional mais acelerado do que o previsto anteriormente.

O resultado do Censo revela um país em movimento — tanto no aspecto físico, com a redistribuição territorial da população, quanto nas mudanças sociais e comportamentais. As grandes capitais, embora ainda sejam polos de atração, estão perdendo força para cidades menores com maior infraestrutura e qualidade de vida.

No caso do Rio de Janeiro, a saída de moradores do estado levanta um alerta para as autoridades públicas e gestores urbanos. A combinação entre insegurança, crise econômica e serviços precários tem levado parte da população a buscar alternativas em outras regiões do país. Investimentos em políticas públicas de segurança, mobilidade urbana, emprego e educação são considerados essenciais para conter essa evasão.

O IBGE continuará detalhando os dados do Censo ao longo de 2025, com informações complementares sobre a composição familiar, moradia, migração interna e indicadores socioeconômicos — elementos fundamentais para entender as transformações em curso na sociedade brasileira.

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