O influenciador digital e campeão da 13ª edição do reality “A Fazenda”, Rico Melquíades CPI, ganhou repercussão nas redes sociais nesta quinta-feira (15) após participar da audiência da CPI das Bets. Assim como outros nomes da internet, como Virginia Fonseca, Rico prestou esclarecimentos aos senadores e, logo depois, aproveitou o aumento de tráfego em seu perfil para divulgar a plataforma de apostas com a qual mantém parceria.
A atitude foi vista por muitos internautas como oportunista, especialmente porque a plataforma em questão — apelidada popularmente como “jogo do tigrinho” — está entre as que são investigadas pelos parlamentares. Poucas horas após o depoimento no Senado, Rico apareceu nos stories do Instagram para falar sobre como se sentiu e, em seguida, divulgar o jogo.
“Gente, olha eu aqui. Deixa eu falar com vocês. Eu estava muito nervoso, por isso eu não apareci aqui antes. Estava me tremendo quase até agora. Eu saí lá do Senado muito nervoso, muito nervoso. Eu vim almoçar, estava tremendo ainda, não consegui nem almoçar direito. Eu me senti muito pressionado, mas é normal também, né? Senti um tratamento diferente, mas realmente tudo bem. Já passou, deu tudo certo”, afirmou o influenciador em seus stories.
Apesar do tom emotivo inicial, Rico logo retomou o foco comercial e divulgou a plataforma de apostas associada à CPI. “Galera, simbora jogar no tigrinho, porque hoje ele está soltando a carta. Lembrando que a ZEROHUM BET é uma plataforma 100% regulamentada, que é para maiores de 18 anos, ou você ganha, ou você perde”, declarou, em vídeo publicado logo após o desabafo.
No entanto, um detalhe observado por internautas causou estranhamento: durante o depoimento ao Senado, Rico exibiu na plataforma um saldo de R$ 1.071,00 e, diante dos senadores, realizou um saque de R$ 1.000,00. Porém, nos stories publicados após a audiência, o influenciador mostrou um saldo de R$ 3.061,06 na mesma plataforma. A mudança repentina no valor alimentou especulações sobre a possibilidade de manipulação da conta ou uso de versão simulada, conhecida como “conta demo”.
Durante o depoimento, Rico negou veementemente o uso de contas falsas para promoção de jogos. Diante da nova polêmica, voltou a se justificar em suas redes sociais. “Eu estou divulgando a plataforma porque é uma lei. Então se é uma lei, eu estou permitido por ela. Só para deixar claro para vocês”, afirmou o humorista.
A participação de influenciadores na divulgação de plataformas de apostas tem sido alvo de investigação da CPI das Bets, que apura possíveis irregularidades envolvendo marketing digital, manipulação de resultados e indução de comportamento de risco entre os seguidores. A prática é considerada especialmente sensível por envolver promessas de lucro fácil e atingir um público muitas vezes jovem e vulnerável.
Rico Melquíades é um dos muitos influenciadores convocados para prestar esclarecimentos sobre sua relação com sites de apostas. A CPI investiga se as plataformas estão agindo de forma transparente e se os influenciadores têm conhecimento sobre os riscos que seus seguidores enfrentam ao aderir a esse tipo de serviço.
Mesmo com o tom descontraído, Rico agora está no centro de um debate mais amplo sobre responsabilidade digital, publicidade e limites da atuação de figuras públicas em campanhas comerciais de alto risco social. A defesa dos influenciadores tem sustentado que se trata de contratos legais e que a responsabilidade sobre os jogos cabe à regulamentação nacional.
Enquanto isso, a CPI das Bets continua avançando com novos depoimentos, busca por dados financeiros e apuração de possíveis violações legais por parte das empresas e dos divulgadores. A conduta de Melquíades e a discrepância de valores exibidos em sua conta devem ser analisadas nos próximos relatórios da comissão.














