Ressaca na Praia da Macumba destrói calçadão e fecha Ciclovia Tim Maia

Ressaca na Praia da Macumba

A ressaca na Praia da Macumba voltou a causar danos no calçadão do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio, nesta sexta-feira (22). Com ondas fortes e correnteza intensa, parte da estrutura cedeu em um trecho da orla que já havia registrado outros desabamentos nos últimos anos.

Imagens feitas no local mostram o mar avançando sobre a faixa de areia e atingindo diretamente a área do calçadão. A força das ondas reacendeu a preocupação de moradores, frequentadores e especialistas sobre a vulnerabilidade da região diante de novos episódios de ressaca.

O biólogo Mario Moscatelli esteve na Praia da Macumba e criticou as sucessivas intervenções realizadas no trecho. Segundo ele, a área sofre com um problema recorrente porque está localizada em uma faixa naturalmente sujeita à retirada e reposição de areia.

“Mais uma vez, o mesmo cenário. Eu acho que já deve ser a segunda, terceira, quarta intervenção que deve ser feita nessa área daqui. A gente insiste em ocupar áreas que não são ocupáveis, porque é uma área de retirada e reposição de areia da natureza”, afirmou Mario Moscatelli.

O biólogo também lembrou que o ponto já passou por diferentes obras de recuperação, mas segue exposto à ação do mar. Para ele, novas intervenções tendem a enfrentar o mesmo problema se não houver uma solução compatível com a dinâmica natural da praia.

“Esse ponto daqui já sofreu várias vezes. E, mais uma vez, gasta-se um caminhão de dinheiro para uma obra que nunca vai ter efeito, porque a natureza não aceita”, disse Moscatelli.

Ainda segundo o especialista, a tendência é que novas ressacas continuem provocando danos no local. A avaliação reforça o debate sobre ocupação da orla, obras de contenção e planejamento urbano em áreas sujeitas à força do mar.

“Mais uma ressaca e mais obra, mais um caminhão de dinheiro que vai ser gasto na reposição, na recomposição de uma área que vai ser degradada na próxima ressaca”, completou o biólogo.

A Prefeitura do Rio informou que as secretarias municipais de Conservação e de Infraestrutura vão atuar em conjunto na avaliação dos estragos causados pela ressaca na Praia da Macumba. Segundo o secretário municipal de Conservação, Diego Vaz, as equipes técnicas vão aguardar o fim do fenômeno para definir um cronograma de obras e as intervenções necessárias.

A prioridade inicial, de acordo com o município, é garantir a segurança da área antes do início dos reparos. Somente após a avaliação técnica será possível estabelecer quais medidas serão adotadas para recuperar o trecho danificado.

Além dos estragos no Recreio, a ressaca também mantém a Ciclovia Tim Maia interditada nesta sexta-feira. Segundo o Centro de Operações Rio, o fechamento começou às 19h34 de quinta-feira (21), no trecho entre São Conrado e a passarela metálica do Vidigal, na Zona Sul.

A interdição foi mantida por medida de segurança, devido ao impacto das ondas na estrutura e ao risco provocado pelas condições do mar. A orientação é que ciclistas e pedestres evitem circular por áreas próximas à orla enquanto o alerta estiver em vigor.

A Marinha do Brasil emitiu aviso de ressaca para a cidade do Rio, válido do meio-dia de quinta-feira (21) até as 9h de sábado (23). Durante esse período, de acordo com o Centro de Operações e Resiliência, ondas entre 2,5 e 3 metros podem atingir a orla carioca.

Como medida de segurança, o COR recomenda evitar banho de mar e esportes aquáticos em áreas com ressaca, não permanecer em mirantes próximos ao mar, seguir as orientações do Corpo de Bombeiros nas praias, evitar navegação e não andar de bicicleta em trechos da orla atingidos pelas ondas.

Com o avanço do mar, a situação na Praia da Macumba volta a expor um problema antigo da cidade: a dificuldade de conciliar ocupação urbana, segurança pública e preservação de áreas costeiras vulneráveis. Agora, a expectativa é que a avaliação técnica indique quais serão os próximos passos para recuperar o trecho afetado e reduzir riscos durante novos episódios de ressaca.

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