Requisitos da GM-Rio: saúde, preparo físico e ficha limpa

Plenário da Câmara Municipal

A nova Força Municipal, divisão de elite da Guarda Municipal do Rio, foi aprovada pela Câmara de Vereadores nesta terça-feira (11) e traz critérios rígidos para ingresso. Os requisitos da GM-Rio incluem exames de saúde, aptidão física, avaliação toxicológica e investigação social minuciosa. O grupo armado deve começar a operar em fevereiro de 2026.

De acordo com o projeto aprovado por 34 votos a 14, o candidato será eliminado caso apresente obesidade mórbida, histórico de dependência química, doenças cardíacas graves, câncer ou lesões que limitem a mobilidade. A proposta é manter um efetivo com plenas condições físicas e mentais, apto ao patrulhamento preventivo e comunitário, sem envolvimento em operações policiais.

Outro ponto que chama atenção é a exigência de ficha limpa. Antes mesmo da formação, os futuros agentes responderão a um formulário detalhado com perguntas sobre vínculos com investigados, participação em eventos ligados a atividades criminosas e até locais frequentados no passado. Qualquer relação com milícias ou tráfico pode ser critério de exclusão.

O vice-prefeito Eduardo Cavaliere destacou que o projeto atende a uma promessa de campanha do prefeito Eduardo Paes. A nova tropa será equipada com pistolas .40 e usará veículos e uniformes com câmeras de monitoramento progressivamente. Ainda não há estimativa oficial para o custo da aquisição dos equipamentos.

A proposta aprovada sofreu várias modificações em relação ao texto original. Uma das emendas permite que os agentes levem suas armas para casa, ao contrário da proposta inicial que determinava o armazenamento em locais indicados pela prefeitura. A inclusão do uso de câmeras corporais também foi aprovada e comemorada por vereadores da base e da oposição.

Apesar do apoio majoritário, a proposta enfrentou críticas. O vereador Pedro Duarte (Novo) votou a favor, mas alertou sobre o risco de agentes temporários serem cooptados pelo crime após o fim do contrato. “Ainda tenho críticas. Para onde esses agentes temporários irão depois? Muitos serão aliciados pelo crime”, alertou.

A bancada do PL tentou adiar a votação com um pedido de retirada de pauta, mas não conseguiu as 17 assinaturas necessárias. Para garantir a aprovação, o prefeito Eduardo Paes exonerou temporariamente três secretários que têm mandato de vereador — Tainá de Paula, Márcio Santos e Felipe Michel — para participarem da sessão.

O vereador Messina criticou duramente a proposta: “O que se votou hoje foi a criação de uma milícia armada e o fim da GM como instituição”.

A nova Força Municipal reforça a estratégia da prefeitura de ampliar a presença da Guarda nas ruas com maior poder de ação, mas o debate sobre segurança pública no Rio segue intenso — especialmente diante da preocupação com a formação e o futuro desses novos agentes armados.

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