O técnico Renato Paiva minimizou as vaias e os gritos de “burro” vindos da torcida após o empate do Botafogo em 2 a 2 contra o São Paulo, no Estádio Nilton Santos, pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro. Em entrevista coletiva após o jogo, o treinador português defendeu suas escolhas e ressaltou que respeita o direito da torcida de se manifestar, mas reforçou que suas decisões foram tomadas com base em análise tática.
“A torcida tem o direito de se manifestar, um direito democrático e público. Treinador tem que saber viver com isso. Mas o treinador tem que saber das decisões que toma em consciência”, afirmou Paiva, em depoimento ao ge.globo.
O resultado deixou o Botafogo na 11ª colocação, com cinco pontos conquistados em quatro rodadas – uma vitória, dois empates e uma derrota. Apesar de ainda estar invicto em casa, o Alvinegro perdeu a oportunidade de conquistar mais três pontos e subir na tabela.
Substituições geraram críticas
Boa parte da insatisfação da torcida foi motivada pelas substituições feitas no segundo tempo, especialmente com a saída de Marlon Freitas para a entrada de Gregore, uma troca interpretada por muitos como conservadora. Paiva, no entanto, rebateu essa leitura e explicou a lógica por trás da alteração.
“Nós estávamos a perder de 2 a 1, o Gregore é mais defensivo do que o Marlon e aquilo que me interessa é levar a equipe para frente. Quando entendo que o adversário está cada vez mais recuado, com menos jogadores à frente, não me interessa ter dois zagueiros, um meia mais defensivo e dois laterais que muitas vezes são dois extremos”, justificou.
Segundo o treinador, a estratégia era transformar o time em uma equipe mais agressiva e capaz de pressionar o São Paulo no campo de ataque. Ele destacou ainda que o desempenho coletivo melhorou após as mudanças, especialmente no setor ofensivo.
Análise dos gols sofridos
Paiva também aproveitou a coletiva para comentar os dois gols sofridos durante a partida. Segundo ele, o primeiro gol do São Paulo surgiu de uma jogada previsível de Ferreirinha, que já era conhecida da comissão técnica. O segundo, no entanto, foi fruto de um erro coletivo na saída de bola.
“Os gols que sofremos são situações que já conhecíamos. O Ferreirinha vem muito por dentro, e erramos na cobertura. O outro foi um erro coletivo em uma saída de bola que nos custou caro”, explicou o técnico.
Apesar disso, o comandante alvinegro fez questão de destacar o crescimento ofensivo da equipe, que criou diversas oportunidades ao longo do jogo. Para ele, a falta de eficácia – ou a atuação inspirada do goleiro adversário – foi o diferencial que impediu a vitória.
Torcida dividida
A reação da torcida no Estádio Nilton Santos foi mista. Enquanto uma parte aplaudiu o time pela entrega e pelo empate conquistado com garra, outra vaiou o treinador, especialmente após as substituições e a perda de intensidade em momentos decisivos.
Ainda que Paiva tenha demonstrado tranquilidade diante das críticas, a pressão externa se intensifica. O torcedor botafoguense cobra mais regularidade, especialmente depois de uma temporada 2024 marcada por altos e baixos.
Próximo desafio será fora de casa
O próximo compromisso do Botafogo será fora de casa, no domingo (21), às 16h, contra o Atlético-MG, no Mineirão, em Belo Horizonte. Paiva já projeta uma partida complicada contra uma equipe que também está buscando regularidade no campeonato.
“Vamos ter o mesmo espírito. O Atlético tem muita qualidade, mas também está com dificuldade de transformar chances em gols. O foco é olhar para o jogo com intenção de vencer”, concluiu o treinador.
O confronto é visto como um teste importante para o elenco alvinegro. Uma vitória pode colocar o time de volta no pelotão da frente, enquanto um tropeço acenderia o alerta sobre a consistência da equipe sob comando de Renato Paiva.
Avaliação geral da partida
Apesar do empate, o Botafogo teve boas chances ao longo do jogo e dominou a posse de bola em diversos momentos. O setor ofensivo, com Eduardo, Tiquinho Soares e Savarino, mostrou entrosamento, mas pecou nas finalizações.
Do lado defensivo, a equipe ainda apresenta falhas pontuais que comprometem o resultado final. A falta de compactação entre os setores e erros na marcação em jogadas rápidas têm sido recorrentes nas últimas partidas.
Perspectivas para a sequência do campeonato
Com apenas quatro rodadas disputadas, o Brasileirão ainda está em sua fase inicial, mas os primeiros jogos são decisivos para construir uma base sólida. Paiva segue no processo de ajustar o elenco e implementar sua filosofia de jogo, priorizando posse de bola, pressão alta e variação tática.
A diretoria, por sua vez, mantém a confiança no projeto, mas já começa a sentir a pressão externa por resultados. A expectativa é que os próximos jogos tragam mais estabilidade, especialmente diante da torcida.














