Recorde de abertura de empresas no Rio reflete mudança no perfil do empreendedor fluminense

Jucerja

O recorde de abertura de empresas no Rio registrado em 2025 revela uma mudança significativa no perfil do empreendedor fluminense e no próprio mercado de trabalho. Mais do que um crescimento pontual, os dados indicam a consolidação de um novo comportamento econômico, marcado pela busca por autonomia, formalização de atividades e uso intensivo de tecnologia.

De acordo com dados da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (Jucerja), entre janeiro e novembro de 2025 foram abertas 79.424 empresas no estado, número que já supera todo o volume registrado em 2024. O presidente da autarquia, Sergio Romay, atribui o resultado a mudanças estruturais no ambiente de negócios.

Segundo ele, investimentos em digitalização, tecnologia e capacitação tornaram o processo de abertura de empresas mais rápido e seguro. Atualmente, o tempo médio para registro de um novo negócio no estado gira em torno de 40 minutos, o que reduz barreiras e estimula a formalização.

Os setores que lideram esse crescimento ajudam a entender o novo perfil do empreendedor. Serviços de escritório, consultórios médicos e de psicologia, comércio varejista de vestuário e restaurantes concentram grande parte dos registros. A capital fluminense responde por mais da metade das novas empresas, seguida por municípios como Niterói, Duque de Caxias, São Gonçalo e Nova Iguaçu.

Para Romay, o movimento é diversificado e mostra confiança no ambiente econômico. Há desde pequenos prestadores de serviço até empresas com projetos mais robustos, o que reforça a percepção de um cenário mais favorável aos negócios no estado.

Na avaliação do Sebrae Rio, o avanço no número de empresas abertas reflete uma mudança clara no mercado de trabalho. O gerente de Atendimento da instituição, Leandro Marinho, explica que o empreendedorismo hoje surge tanto por necessidade quanto por oportunidade.

Segundo ele, além de pessoas que buscam renda diante da instabilidade do emprego formal, cresce o número de empreendedores motivados pelas possibilidades oferecidas pelo ambiente digital. Negócios on-line, e-commerces, serviços por aplicativos e modelos híbridos ganham espaço, assim como uma preocupação maior com planejamento, marca e presença digital desde o início.

Apesar do cenário positivo, os desafios continuam presentes, especialmente no primeiro ano de atividade. Falta de planejamento, confusão entre finanças pessoais e empresariais e subestimação do capital de giro seguem entre os principais erros cometidos por novos empreendedores.

Para especialistas, o recorde alcançado em 2025 não é um fato isolado, mas parte de uma tendência iniciada no período pós-pandemia. A combinação entre digitalização, formalização, busca por autonomia profissional e melhoria gradual do ambiente regulatório aponta para uma transformação duradoura no perfil do empreendedor fluminense.

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